Polícia

Deolane Bezerra é presa em SP por suposta ligação com esquema bilionário

Força-tarefa da Polícia Civil e MPSP mira alta cúpula da facção e aponta que influenciadora usava fama para lavar dinheiro

Defesa da influenciadora publica nota oficial repudiando a prisão e classifica ação judicial como 'espetáculo e vingança social' - Foto: Redes Sociais

Redação Publicado em 21/05/2026, às 13h22

A segurança pública e o mundo das celebridades digitais voltaram a colidir na manhã desta quinta-feira (21) em São Paulo. A influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra foi presa preventivamente durante a "Operação Vérnix", uma força-tarefa de grande porte deflagrada em conjunto pela Polícia Civil de São Paulo e pelo Ministério Público do Estado (MPSP). A investigação aponta um suposto envolvimento direto da influencer em um esquema bilionário de lavagem de dinheiro ligado à cúpula do PCC (Primeiro Comando da Capital).

A operação é considerada um dos golpes mais duros dos últimos anos contra a engenharia financeira do crime organizado. Além de Deolane, a Justiça expediu outros cinco mandados de prisão preventiva. Entre os alvos estão Marco Herbas Camacho, o Marcola, que já está detido em presídio federal, além de um irmão e dois sobrinhos dele. Outro alvo central é Everton de Souza, conhecido no submundo do crime como "Player", apontado como o principal operador financeiro do grupo. Para além das prisões, o Poder Judiciário determinou o sufocamento financeiro da estrutura, ordenando o bloqueio de valores superiores a R$ 327 milhões, o sequestro de quatro imóveis de alto padrão e a apreensão de 17 veículos, incluindo carros de luxo importados cujas avaliações conjuntas superam os R$ 8 milhões.

Investigações

A complexa investigação que culminou na prisão da influenciadora não começou agora. O caso é fruto de uma apuração minuciosa que se estende desde 2019 e foi dividida em três fases bem estruturadas pelas autoridades.

Tudo começou com o inquérito focado nos bilhetes, quando agentes da Polícia Penal apreenderam manuscritos com dois detentos dentro da Penitenciária II de Presidente Venceslau. Os textos detalhavam ordens de ataques violentos contra servidores públicos e faziam uma menção enigmática a uma "mulher da transportadora", que seria a responsável por levantar os endereços dos agentes estatais para as ações. Por conta disso, os detentos envolvidos foram condenados e transferidos para o sistema penitenciário federal.

Essa pista acendeu o alerta e gerou o segundo inquérito, focado na transportadora. A polícia passou a investigar qual empresa seria essa e descobriu uma transportadora sediada em Presidente Venceslau que era utilizada como fachada para lavar recursos da facção. A investida resultou na Operação Lado a Lado. Durante o cumprimento dos mandados, a apreensão do telefone celular de um dos gestores "fantasmas" da empresa abriu o caminho final da apuração, pois revelou conversas, repasses financeiros e conexões diretas com Deolane Bezerra.

Esquema

A partir dessas mensagens, a polícia abriu a terceira linha de investigação para apurar especificamente o papel de Deolane. De acordo com a Polícia Civil e o MPSP, a influenciadora mantinha estreitos vínculos pessoais e comerciais com os operadores e gestores ocultos da transportadora em Presidente Venceslau. As quebras de sigilo bancário e fiscal apontaram movimentações financeiras milionárias e expressivas incompatibilidades com seu patrimônio declarado.

Para os investigadores, a estrondosa projeção pública de Deolane nas redes sociais, somada às suas empresas formais e à compra de bens de altíssimo padrão, funcionavam como uma sofisticada blindagem jurídica. O grupo utilizava essa estrutura empresarial e patrimonial sucessiva como uma camada de aparente legalidade, criando um mecanismo complexo para mascarar, dissimular e reinserir o dinheiro ilícito da facção na economia formal, dificultando o rastreamento do destino final dos recursos.

Ramificação internacional

A "Operação Vérnix" também cruzou as fronteiras do Brasil, revelando que o esquema possuía tentáculos no exterior. Como três dos investigados remanescentes estão fora do país, localizados na Itália, Espanha e Bolívia, a Polícia Civil formalizou o pedido de inclusão de seus nomes na Lista Vermelha da Interpol, por meio de difusão vermelha, permitindo que as forças internacionais realizem as capturas.

Logo após a repercussão da prisão, a advogada Daniele Bezerra, irmã de Deolane, utilizou as redes sociais para divulgar uma nota oficial rebatendo as acusações. A família alega veementemente que a influenciadora é vítima de uma perseguição sistemática comandada pelas autoridades policiais e que a prisão está sendo usada como um instrumento de pressão e marketing.

"A prisão da Deolane Bezerra, sob alegações de participação em organização criminosa, nasce cercada de ilações, narrativas e perseguições que já se repetem há tempos. Acusar é fácil. Difícil é provar. Não se pode admitir que a Justiça seja usada como espetáculo, nem que pessoas sejam tratadas como culpadas antes do devido processo legal", manifestou Daniele Bezerra em defesa da irmã.

Deolane Bezerra passará por audiência de custódia nas próximas horas e seus advogados de defesa informaram que já preparam a entrada de um pedido de habeas corpus para tentar reverter a prisão preventiva.

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