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Ataque no Guarujá

Identificado e confesso, motociclista que atacava ciclistas é liberado em Guarujá devido à lei eleitoral

Homem confessou ataques, mas lei impede prisões a 5 dias da eleição. Polícia monitora o suspeito e já identificou cinco vítimas

- Foto: Reprodução

Redação Publicado em 01/10/2026, às 08h36

O homem apontado como o responsável por uma série de ataques criminosos contra mulheres que transitavam de bicicleta pelas ruas de Guarujá, no litoral de São Paulo, já está identificado, confessou os atos, mas segue em liberdade. O suspeito se apresentou na Delegacia Sede do município na tarde desta quarta-feira (30). No entanto, por força da legislação eleitoral vigente no país, ele não pôde ser detido.

A confissão e o entrave da lei eleitoral

A liberação imediata do suspeito, que gerou frustração popular, obedece estritamente ao artigo 236 do Código Eleitoral. A lei federal estabelece que, desde cinco dias antes do pleito até 48 horas após a votação, nenhum eleitor pode ser preso, salvo em situações de flagrante delito — o que não se aplica ao caso, já que os crimes ocorreram em dias anteriores à sua apresentação. Como a janela de restrição eleitoral de 2026 teve início no último domingo (29), a prisão preventiva não pôde ser executada.

O delegado Glaucus Vinícius Silva, responsável pelas investigações, esclareceu que a Polícia Civil já debatia esse cenário burocrático e atua em conjunto com o Ministério Público e o Poder Judiciário. "Estamos fazendo uma estratégia jurídica para verificar alguma possibilidade de ele ser preso, de a gente tentar cumprir esse mandado de temporária ou alguma outra medida", pontuou a autoridade.

Monitoramento 24 horas e histórico criminal

Para garantir a segurança das mulheres da Baixada Santista enquanto o mandado de prisão não pode ser efetivado, o suspeito foi colocado sob vigilância ininterrupta. Segundo as autoridades, o homem é monitorado 24 horas por dia por equipes policiais. "Não é uma tornozeleira eletrônica, mas a gente não vai poder deixá-lo sem vigia", garantiu Glaucus, reforçando que o encarceramento ocorrerá assim que houver respaldo jurídico para o cumprimento da medida.

A identificação do criminoso foi fruto de um trabalho de inteligência que cruzou as imagens das câmeras de segurança — que flagraram um dos ataques de grande repercussão no bairro Vila Nova — com os relatos das vítimas. Uma delas conseguiu visualizar o rosto do motociclista quando ele abriu a viseira do capacete. Outras forneceram características físicas e parte da placa da moto preta. Durante o levantamento, a polícia descobriu que o homem já possuía uma condenação anterior por um crime semelhante, cuja pena havia sido revertida em prestação de serviços à comunidade.

Dinâmica covarde e possível enquadramento por estupro

Até o momento, a estrutura policial de Guarujá ouviu formalmente cinco vítimas, incluindo uma menina de apenas 12 anos de idade. Os depoimentos revelaram o modus operandi do agressor: ele circulava de forma aleatória por bairros como Enseada, Morrinhos, Vila Nova e Prainha. Ao avistar ciclistas mulheres, ele se aproximava sorrateiramente por trás, "sem despertar suspeita", com a motocicleta em movimento, praticava o abuso com violência física e fugia rapidamente.

Devido à gravidade das abordagens, a tipificação penal pode se tornar muito mais severa. Inicialmente tratado como importunação sexual, o caso pode ser reclassificado. A Polícia Civil avalia se o fato de o agressor surpreender as vítimas por trás, retirando qualquer chance de defesa, configura o crime de estupro.

As autoridades reforçam o apelo para que outras possíveis vítimas procurem a Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) ou qualquer delegacia convencional para registrar boletim de ocorrência, garantindo que o criminoso responda judicialmente por todos os episódios cometidos. A identidade das denunciantes é mantida sob absoluto sigilo.

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