Caso, que gerou grande comoção, foi reaberto após a família contratar perito particular para reconstituição
Redação Publicado em 05/03/2026, às 11h05
O Tribunal do Júri de Peruíbe, no litoral de São Paulo, condenou nesta quarta-feira (4) o policial militar Luís de Farias Pacheco pela morte da pequena Hillary Souza Valadares, de apenas 2 anos. A decisão encerra um longo e doloroso capítulo de busca por justiça que se arrastava desde fevereiro de 2019.
O réu foi sentenciado a 16 anos e 4 meses de reclusão em regime fechado pelo crime de homicídio qualificado por perigo comum. O policial, que respondia ao processo em liberdade até o momento do julgamento, teve sua prisão decretada imediatamente após a leitura da sentença pela juíza e saiu do fórum detido.
A tragédia ocorreu durante uma perseguição policial com troca de tiros nas ruas de Peruíbe. A criança foi fatalmente atingida na cabeça por um disparo enquanto estava no carro da família, gerando grande comoção e uma batalha judicial incansável por parte de seus pais para provar a origem do tiro.
Reabertura do processo
O desfecho condenatório só foi possível graças à persistência dos pais de Hillary. Em 2020, o caso chegou a ser arquivado pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP). Inconformada com a falta de respostas, a família custeou a contratação de um perito particular para realizar uma reconstituição independente da cena do crime.
O laudo técnico foi fundamental: ele comprovou que a trajetória do disparo fatal, que perfurou o para-brisa e o banco dianteiro do carro, partiu do veículo utilizado pelos policiais militares envolvidos na ocorrência. Com essa nova prova material incontestável em mãos, o MP reabriu as investigações, o que culminou na denúncia formal e na atual condenação. A defesa do PM ainda pode recorrer da decisão.
Dinâmica do Julgamento no Fórum de Peruíbe
A sessão foi presidida pela juíza Juliana Neves Ayello, titular da 1ª Vara do Foro da cidade. O julgamento contou com o depoimento de diversas testemunhas, com a flexibilização do uso de videoconferência para aquelas que estavam distantes. Foi o caso de um policial militar que atua em Águas de Santa Bárbara (SP), cidade a mais de 400 quilômetros do litoral.
Na decisão que autorizou o formato remoto, a magistrada considerou a otimização de custos e a logística de deslocamento, destacando que eventuais falhas técnicas na transmissão não causariam a nulidade do julgamento, já que o depoimento em questão não era considerado estritamente imprescindível para a formação da convicção dos jurados.
Relembre a tragédia de 2019
No dia 12 de fevereiro de 2019, a família de Hillary estava na região central após ter feito compras em um supermercado. O pai da menina estacionou o veículo no cruzamento das ruas Marília e Padre Vitalino para fazer algumas anotações rápidas.
Simultaneamente, uma ação criminosa se desenrolava na via. Após uma mulher ser assaltada na frente de casa, seu marido pediu ajuda a um motorista que passava pelo local um policial à paisana que decidiu perseguir os suspeitos em seu próprio automóvel. A perseguição escalou para uma troca de tiros em via pública, e um dos projéteis atingiu o carro da família. Hillary chegou a ser socorrida com vida para a Santa Casa de Santos, mas, infelizmente, faleceu após três dias de internação.