Porto

Justiça Federal bloqueia R$ 4,6 milhões de grupo acusado de tráfico internacional no Porto de Santos

Operação da PF identifica responsáveis por introdução de drogas no Porto de Santos, com cooperação internacional

- Foto: Divulgação

Redação Publicado em 29/07/2026, às 07h56

Uma investigação conduzida pela Polícia Federal (PF) resultou na elucidação de um esquema de tráfico internacional de drogas operado a partir do Porto de Santos. A cooperação entre as autoridades brasileiras e holandesas permitiu identificar a dupla responsável por introduzir 26 quilos de cocaína no compartimento de refrigeração de um contêiner carregado com suco de laranja, cujo destino final era o Porto de Roterdã, na Holanda. A partir da apreensão do entorpecente na Europa, os agentes federais refizeram o trajeto do carregamento e identificaram o motorista Thiago Fabbris de Aguiar e o proprietário de caminhão Fabrino Vitório de Moura Souza, ambos moradores de Guarujá, como os operadores logísticos da ação criminosa.

O juiz Roberto Lemos dos Santos Filho, titular da 5ª Vara Federal de Santos, decretou a prisão preventiva dos dois investigados e expediu mandados de busca e apreensão para três imóveis vinculados ao grupo, localizados nos municípios de Guarujá e Praia Grande. Até o momento, Fabrino foi capturado e preso pela PF, enquanto Thiago permanece foragido. O magistrado determinou ainda o bloqueio e sequestro de bens e valores no limite de R$ 4,6 milhões de forma solidária entre os dois acusados, a empresária Rosana Correa Dias e a transportadora por ela gerenciada, montante que corresponde ao lucro estimado que a carga de cocaína geraria no mercado europeu.

Invasão ao pátio portuário e ramificação financeira

A reconstrução do crime revelou que a introdução da droga ocorreu dentro do pátio da empresa Santos Brasil, em Guarujá. Utilizando um caminhão Mercedes-Benz com películas escuras para burlar a fiscalização, Thiago ingressou no terminal e desembarcou dois homens não identificados trajando uniformes refletores falsos. A dupla abriu a estrutura do motor de refrigeração da caixa metálica e ocultou os tabletes do entorpecente antes de o navio zarpá-los para a Holanda. As investigações apontam que o mesmo veículo esteve envolvido em outras duas investidas suspeitas no terminal portuário no final de 2025.

As apurações da Polícia Federal e relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) revelaram também o braço financeiro da organização. A empresária Rosana Correa Dias é acusada de utilizar uma transportadora de fachada para lavar o dinheiro oriundo do narcotráfico em gestão compartilhada com Fabrino, que já acumula histórico de envolvimento na exportação de toneladas de drogas para a Europa e África. Contra Rosana, a Justiça Federal determinou a apreensão do passaporte e a proibição de se ausentar da comarca onde reside. As investigações prosseguem para capturar o motorista foragido e identificar os comparsas que atuaram no pátio portuário.

Polícia Federal Porto de Santos Guarujá Narcotráfico

Leia também