Ação policial cumpre mandados nesta quinta-feira (17) em Santos, Praia Grande, Cubatão e na capital; defesa classifica prisão como irregular
Redação Publicado em 17/09/2026, às 08h13
A Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo (MPSP) deflagraram na manhã desta quinta-feira (17) a Operação Vectura Corrupta, resultando na prisão do candidato a deputado estadual Danilo Morgado (PL). Conforme as investigações conduzidas pelas autoridades, o político é suspeito de manter vínculos com integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC), havendo indícios de que sua campanha eleitoral à Prefeitura de Praia Grande, realizada em 2024, teria sido financiada pela organização criminosa.
O caso também atinge o núcleo familiar do investigado. No início do mês, a esposa de Morgado, Luciene Athaydes, foi alvo de um mandado de busca e apreensão durante a Operação Helmintos, investigação que mirou um grupo suspeito de lavar cerca de R$ 1 bilhão e de tentar ampliar a influência da facção sobre atividades econômicas na Prefeitura.
Em nota oficial encaminhada à imprensa, a defesa de Danilo Morgado classificou a prisão como irregular e de caráter político. “Esperamos que os fatos sejam apurados a fundo e tudo seja esclarecido em breve. O que não dá pra engolir é a forma que aconteceu: às vésperas da eleição, numa prisão que temos motivo para considerar irregular. Isso não é investigação, é perseguição”, declarou o posicionamento jurídico.
Situação eleitoral e desdobramentos da operação
A prisão ocorre em um cenário de instabilidade jurídica para a candidatura de Morgado. Em agosto, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) havia barrado sua postulação a deputado estadual após o empresário deixar de apresentar a comprovação do pagamento de multas eleitorais recebidas em 2022, quando disputou uma vaga de deputado federal pelo Solidariedade. No entanto, o TRE havia acolhido um recurso da defesa e deferido a candidatura nesta mesma semana.
A Operação Vectura Corrupta cumpre ordens judiciais em diversas cidades do estado, abrangendo os municípios de Santos, Praia Grande e Cubatão, além de São Paulo, Santana de Parnaíba, São Bernardo do Campo e Diadema. No total, a ação desta quinta-feira executa 16 mandados de prisão temporária e 18 de busca e apreensão.
Entre os principais alvos estão figuras de destaque na política paulista, como Milton Leite, ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo e vereador por sete mandatos consecutivos entre 1997 e 2024, e o ex-presidente da SPTrans, Levi dos Santos Oliveira, que foi preso durante a ofensiva.
Investigações sobre lavagem de dinheiro e transporte
A nova fase é um desdobramento direto da Operação Decúrio, deflagrada em agosto de 2024 contra esquemas de lavagem de dinheiro oriundo do tráfico de drogas. Na época, as apurações revelaram a existência de uma complexa rede de comunicação mantida pelo PCC — com divisões conhecidas como “Sintonia Restrita” e “Sintonia dos Gravatas” — para conectar membros presos e em liberdade, além de evidenciar planos da facção para infiltrar candidatos em pleitos municipais.
Outra frente central das apurações do Ministério Público aponta para a suposta infiltração do crime organizado em empresas de transporte coletivo de passageiros na capital paulista, onde pelo menos 12 companhias seriam controladas de forma direta ou indireta pela facção. Historicamente, o ex-parlamentar Milton Leite já havia sido citado em investigações da Corregedoria da Polícia Militar acerca de supostas ligações com policiais presos por fazerem a escolta de dirigentes da empresa Transwolff, alvo de apurações anteriores por suspeitas de lavagem de dinheiro para o grupo criminoso.