Polícia

Vídeo mostra momento em que mulher é perseguida e morta por ex-companheiro em São Vicente

Severino Alves Pereira, de 56 anos, responderá por feminicídio qualificado por emboscada e recurso que dificultou a defesa da vítima

Câmeras flagram perseguição de acusado de feminicídio contra funcionária de shopping no litoral de SP - Imagem: Divulgação

Redação Publicado em 15/07/2026, às 09h14

A Justiça decretou a prisão preventiva de Severino Alves Pereira, de 56 anos, acusado de assassinar a facadas a ex-companheira, Paula Santos da Silva, de 37 anos, no Centro de São Vicente, no litoral de São Paulo. O crime ocorreu na noite de segunda-feira (13), logo após a vítima encerrar seu expediente de trabalho.

A decisão converteu a prisão em flagrante em preventiva após representação da autoridade policial, que apontou a extrema gravidade e frieza da ação. Severino responderá por feminicídio qualificado por emboscada e por recurso que impossibilitou a defesa da vítima.

Premeditação e perseguição gravadas por câmeras

As investigações da Polícia Civil apontam que o crime foi minuciosamente premeditado. Severino dirigiu-se ao Shopping Brisamar, onde Paula trabalhava, e perguntou sobre ela a um funcionário de uma das lojas para confirmar sua presença. Em seguida, posicionou-se na área externa e aguardou a saída da ex-companheira.

Imagens de câmeras de monitoramento da região registraram a dinâmica do ataque:

Mesmo gravemente ferida e apresentando intenso sangramento na região do pescoço, Paula conseguiu se rastejar por alguns metros em busca de socorro. Ela foi encontrada caída na calçada em frente ao prédio onde residia, na Rua Frei Gaspar. O Samu foi acionado, mas ela não resistiu aos ferimentos e faleceu no local.

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Acusado tentou simular luto na delegacia com a enteada

A farsa de Severino começou a desmoronar poucas horas após o crime, quando ele compareceu espontaneamente ao plantão policial do 1º Distrito Policial de São Vicente. Segundo o delegado responsável pelo caso, Marcos Alexandre Alfino, o suspeito tentou criar um álibi emocional usando a própria filha de Paula.

“Esse senhor se apresentou aqui no plantão como companheiro da vítima. Inclusive, na oportunidade, ele se encontrava com a filha dela. E começou aqui muito choroso, muito triste, mas quando o corpo de investigadores obteve as imagens fornecidas pelo shopping, visualizou que o autor estava vestido da mesma forma, ou seja, um pesado casaco de inverno e de chinelo. E quando ele começou a ser questionado, começou a cair em contradição, vindo a assumir a autoria do delito. E mais: as suas vestes estavam sujas de sangue e molhadas, porque ele tentou lavar”, relatou o delegado.

Confrontado com as imagens e com as contradições de seu depoimento, Severino confessou formalmente o feminicídio. As roupas que ele usava, o casaco pesado e os chinelos, foram apreendidas e passaram por exame preliminar da perícia, apresentando resultado positivo para a presença de sangue humano. O celular de Paula também foi recolhido para análise de mensagens.

Acolhimento da filha da vítima

No momento do crime, a filha de Paula, de nove anos (fruto de um relacionamento anterior), estava em casa aguardando o retorno da mãe. Após a constatação do óbito e a prisão do acusado, o Conselho Tutelar foi acionado para prestar apoio psicológico e assistencial à menor. Posteriormente, o pai biológico compareceu e assumiu a responsabilidade pela guarda da criança.

A reportagem não conseguiu localizar a defesa de Severino Alves Pereira. O espaço permanece aberto para manifestação dos advogados de defesa.

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