Polícia

Clínica veterinária é fechada em Mongaguá após alvará falso e denúncia de morte de animal

Vigilância e GCM flagraram descarte incorreto de agulhas e ausência de pias com água corrente no consultório

Com freezer de cadáveres enferrujado e falta de água, clínica veterinária é lacrada em Mongaguá - Imagem: Divulgação
Com freezer de cadáveres enferrujado e falta de água, clínica veterinária é lacrada em Mongaguá - Imagem: Divulgação

Redação Publicado em 14/07/2026, às 10h39


A Prefeitura de Mongaguá, no litoral de São Paulo, interditou e lacrou uma clínica veterinária que funcionava de forma irregular no bairro Jardim Praia Grande, nesta segunda-feira (13). O estabelecimento utilizava um alvará de funcionamento falsificado e apresentava uma série de graves infrações sanitárias e de biossegurança.

A interdição ocorreu durante uma operação conjunta realizada pela Vigilância Sanitária, pelo setor de Fiscalização do Comércio e pela Guarda Civil Municipal (GCM). O local foi totalmente lacrado e os responsáveis acabaram conduzidos à Delegacia de Polícia Civil para prestar esclarecimentos sobre as fraudes e crimes contra a saúde pública.

Denúncia de morte de animal motivou a fiscalização

A inspeção foi desencadeada após uma moradora registrar uma denúncia na Ouvidoria Municipal. No relato, a tutora informou que quatro de seus animais de estimação sofreram graves complicações de saúde após passarem por procedimentos na clínica. Um dos animais não resistiu e morreu.

Diante do caso, as equipes técnicas se deslocaram até o endereço e confirmaram que a estrutura do local colocava em risco a saúde de pacientes, funcionários e clientes.

Principais irregularidades constatadas na clínica

Durante a vistoria detalhada, os agentes fiscais identificaram um cenário de total improvisação. Entre as principais infrações cometidas pelo estabelecimento, destacam-se:

  • Higiene inadequada: Banheiros em condições higiênicas insatisfatórias e ausência de pias fixas com água corrente no consultório para assepsia;
  • Armazenamento de cadáveres: Presença de um freezer oxidado (enferrujado) para armazenamento de corpos de animais, instalado de forma irregular em um corredor de circulação;
  • Descarte de resíduos: Descarte incorreto de materiais perfurocortantes (como agulhas e lâminas), gerando riscos biológicos;
  • Falta de insumos e controle: Ausência de planilhas de esterilização de equipamentos e falta de materiais cirúrgicos básicos, como fios de sutura;
  • Inexistência de licenças: Falta do Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB) e do certificado obrigatório de desinsetização e desratização do imóvel.

"O cenário era de total desrespeito às normas de biossegurança. Encontramos um ambiente improvisado que colocava em risco não apenas a vida dos animais atendidos, mas também a integridade dos funcionários e dos próprios tutores que frequentavam o espaço", destacou o fiscal Wagner Fidelis Filho, que participou da operação.

Canais para denúncia

A Prefeitura de Mongaguá reforça que moradores que suspeitarem de clínicas clandestinas, profissionais sem registro ou casos de maus-tratos contra animais devem formalizar a queixa por meio dos canais oficiais da Ouvidoria Municipal. As manifestações são encaminhadas aos setores competentes e podem resultar em novas operações policiais e administrativas.