
Paulo de Tarso Lyra e Alan Marques Publicado em 23/09/2026, às 08h29
A ROG.e 2026, realizada no Rio de Janeiro, ajuda a revelar uma mudança importante no debate energético brasileiro. Ao reunir agendas de midstream e downstream, descarbonização, transformação digital, inovação e cadeia de suprimentos, o evento mostra que discutir o futuro da energia não significa apenas falar de novas fontes. Significa também tornar mais eficiente, segura e sustentável a infraestrutura que abastece o país.
É nesse contexto que o refino privado ganha relevância. O Brasil precisa combinar grandes ativos com operações capazes de responder às características regionais do consumo. Refinarias de menor escala, instaladas próximas aos mercados consumidores, podem integrar uma lógica complementar: encurtar distâncias, buscar eficiência logística, diversificar agentes e incorporar tecnologias com maior agilidade.
A experiência da SSOil Energy dialoga com esse modelo. Mais do que ampliar capacidade, o desafio de uma refinaria privada regional é evoluir simultaneamente em eficiência operacional, segurança de processos, desempenho ambiental e qualificação da cadeia de fornecedores. A presença de profissionais da empresa na ROG.e parte justamente da necessidade de transformar tendências em soluções aplicáveis à operação.
Para Douglas Liberace de Matos, coordenador de SGI, a agenda passa por “buscar novas oportunidades, soluções e tecnologias” ligadas à sustentabilidade, descarbonização e eficiência ambiental. O benchmarking com diferentes agentes de upstream e downstream também permite identificar caminhos para reduzir emissões de gases de efeito estufa e elevar a eficiência.
Na produção, a transformação tecnológica precisa chegar ao chão de fábrica. Marcelo Melo de Mello, gerente de Produção, destaca a busca por tecnologias que relacionem a evolução dos processos a sistemas “cada vez mais eficientes, automatizados e seguros”. Em uma refinaria, inovação só produz valor duradouro quando vem acompanhada de confiabilidade e fortalecimento da segurança de processos.
Há ainda uma dimensão menos visível, mas decisiva: suprimentos. Vanessa Cristine de Oliveira, coordenadora de Suprimentos, aponta a importância de desenvolver e qualificar fornecedores, ampliar o relacionamento com diferentes players e identificar parceiros preparados para atender às necessidades atuais e futuras da refinaria. Uma indústria regional competitiva também depende de uma cadeia local e nacional tecnicamente preparada.
A ROG.e reforça, portanto, uma percepção: a transição energética não elimina a necessidade de aperfeiçoar o refino. Ao contrário, exige que o setor avance em eficiência, tecnologia, segurança e redução de emissões. Para o refino privado, existe espaço para um modelo conectado às demandas regionais, capaz de inovar e contribuir para um ambiente mais diversificado e competitivo.
O futuro do refino brasileiro também será construído por empresas capazes de transformar conhecimento em eficiência operacional e presença regional em valor para toda a cadeia.
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