Fórmula 1

Aston Martin limitará voltas na Austrália por risco de danos neurológicos aos pilotos

Equipe adota estratégia de contenção de danos devido a vibrações severas que afetam a saúde de seus pilotos na abertura da temporada

A equipe enfrenta um desafio médico crítico, com vibrações da nova unidade de potência da Honda - Foto: Alessio Morgese / NurPhoto / Getty Images
A equipe enfrenta um desafio médico crítico, com vibrações da nova unidade de potência da Honda - Foto: Alessio Morgese / NurPhoto / Getty Images

Gabriella Souza Publicado em 05/03/2026, às 11h29


A abertura da temporada 2026 da Fórmula 1 começa com um sinal de alerta dramático para a Aston Martin. Nesta quinta-feira (5), no circuito de Albert Park, o chefe da equipe, Adrian Newey, revelou que o time adotará uma estratégia de "estrita contenção de danos" durante o Grande Prêmio da Austrália. O motivo é uma vibração severa originada na nova unidade de potência da Honda, que está sendo transferida diretamente para o volante e o chassi, colocando em risco a saúde neurológica de Fernando Alonso e Lance Stroll.

De acordo com Newey, o problema ultrapassou a esfera mecânica, que já causa quedas de peças como espelhos e lanternas, e tornou-se uma questão médica crítica. A frequência da vibração é tão alta que pode causar danos nervosos permanentes nas mãos e nos dedos dos competidores. Por conta disso, a equipe limitará drasticamente o número de voltas em sequência durante os treinos e a própria corrida de domingo.

Relatos alarmantes dos pilotos

A gravidade da situação foi confirmada pelos próprios pilotos, que descreveram sintomas físicos preocupantes após os primeiros contatos com o carro no paddock australiano. O bicampeão Fernando Alonso estimou que seu limite de segurança é de apenas 25 voltas consecutivas. "Após 20 ou 25 minutos, você começa a sentir dormência nas mãos, nos pés ou em qualquer outra parte", relatou o espanhol.

Lance Stroll apresentou uma tolerância ainda menor, fixando seu limite em apenas 15 voltas para evitar lesões definitivas. O canadense, apesar de manter o tom filosófico ao dizer que "algumas temporadas o carro é um pesadelo", admitiu que a sensação é de que o bólido está se desmoronando sob seus comandos. A restrição de voltas deve comprometer seriamente a competitividade da equipe na prova de abertura, já que os pilotos não poderão manter um ritmo constante por toda a distância da corrida.

Impasse com a Honda e ironia no Paddock

O problema coloca pressão imediata sobre a Honda HRC. O presidente da fornecedora, Koji Watanabe, confirmou que as causas estão sendo investigadas, mas admitiu que ainda não existe um cronograma para uma solução definitiva. Enquanto a bateria do sistema híbrido foi parcialmente protegida, a transmissão de energia vibratória para o cockpit permanece sem correção técnica imediata.

A crise da Aston Martin não passou despercebida pelos rivais. Valtteri Bottas, que estreia pela nova equipe Cadillac, usou de ironia ao ser questionado sobre os favoritos ao título durante a coletiva de imprensa. "Se eu tiver que dar um palpite agora, diria Lance Stroll e Fernando Alonso", brincou o finlandês, citando também a Mercedes como candidata a bater a Aston Martin no longo prazo devido aos problemas de confiabilidade da equipe de Silverstone.