Fórmula 1

Aston Martin vive drama com motores e corre risco de ficar fora do GP da Austrália

Com apenas duas baterias funcionais, a equipe enfrenta incertezas, enquanto mecânicos trabalham até tarde para encontrar soluções

Fernando Alonso expressa sua decepção com a falta de peças de reposição - Foto: Paul Crock/AFP
Fernando Alonso expressa sua decepção com a falta de peças de reposição - Foto: Paul Crock/AFP

Gabriella Souza Publicado em 06/03/2026, às 10h22


A Aston Martin começou a temporada da Fórmula 1 vivendo um verdadeiro pesadelo em Melbourne. A equipe está com poucas peças de reposição e corre o risco real de não conseguir alinhar seus dois carros para a corrida de domingo. O problema central está nas baterias do motor Honda, e a Aston Martin levou quatro unidades para a Austrália, mas duas já quebraram, restando apenas as que estão instaladas nos carros de Fernando Alonso e Lance Stroll.

Problemas técnicos e cansaço nos boxes

O chefe da equipe, Adrian Newey, não escondeu a frustração e disse que a situação é "assustadora". Segundo ele, o time se sente de mãos atadas, já que qualquer nova falha pode significar o fim do final de semana para um dos pilotos. Para tentar salvar a participação na prova, os mecânicos trabalharam até as quatro da manhã de sexta-feira buscando soluções, mas o clima ainda é de muita incerteza nos bastidores.

Mas essa não é a primeira vez que ocorre um problema com os motores Honda. Durante os testes de pré-temporada, realizados no mês passado, o carro já vinha apresentando defeitos parecidos. Isso fez com que a equipe chegasse na primeira etapa do ano com pouquíssimas informações sobre como o novo modelo se comporta na pista, criando um efeito dominó de problemas.

Pilotos limitados e risco à saúde

Além da falta de peças, existe uma preocupação com os pilotos. Alonso e Stroll foram orientados a dar poucas voltas nos treinos porque o carro está vibrando de forma exagerada, o que pode causar lesões sérias nos nervos. No primeiro treino livre, o bicampeão Alonso nem sequer foi para a pista, enquanto Stroll só conseguiu completar três voltas antes de o motor apresentar falhas.

Newey explicou que essa queda de rendimento da Honda pode estar ligada a uma mudança interna na fabricante. De acordo com o dirigente, apenas 30% dos profissionais que trabalharam nos motores campeões da Red Bull continuam no projeto atual. A Aston Martin só descobriu essa debandada de funcionários em novembro do ano passado, o que explica a dificuldade em ajustar o equipamento a tempo.

Fernando Alonso desabafou sobre o momento difícil e disse estar bem decepcionado por não ter peças reserva. Para o piloto espanhol, o tempo perdido na garagem é precioso, já que ele precisava entender melhor o funcionamento do carro para tentar ser competitivo. Vale lembrar que, no ano passado, quando ainda usava motores Mercedes, a equipe terminou o campeonato em sétimo lugar, mas agora a parceria com a Honda parece estar enfrentando um início turbulento.