Fórmula 1

Batida de Bearman de 50G entra para a lista dos mais fortes da década e pressiona por mudanças na F1

FIA promete avaliar o regulamento após o acidente, enquanto pilotos pedem mudanças para garantir a segurança

O impacto de 50G no corpo de Bearman levanta questões sobre a segurança dos novos regulamentos - Imagem: Reprodução
O impacto de 50G no corpo de Bearman levanta questões sobre a segurança dos novos regulamentos - Imagem: Reprodução

Gabriella Souza Publicado em 30/03/2026, às 10h34


O Grande Prêmio do Japão deste domingo (29) foi marcado por cenas de tensão logo na 22ª volta. O jovem piloto Oliver Bearman, da Haas, protagonizou um dos acidentes mais fortes da última década ao colidir contra a barreira de proteção a impressionantes 262 km/h.

O impacto foi tão forte que o sensor do carro registrou uma desaceleração de 50G, ou seja, o corpo do piloto sentiu uma força 50 vezes maior que a da gravidade. Apesar da gravidade da batida, o inglês saiu consciente do veículo, embora estivesse visivelmente mancando.

Tudo aconteceu quando Bearman tentava desviar do carro de Franco Colapinto, da Alpine. Pela telemetria oficial da Fórmula 1, a diferença de velocidade entre os dois era absurda: enquanto o inglês voava a 262 km/h, o argentino estava a apenas 174 km/h no meio de um trecho de alta. Ao tentar tirar o carro, Bearman acabou pisando na grama, perdeu o controle, atravessou a pista e destruiu placas de sinalização antes de estampar o muro.

  • “Foi um momento assustador, mas está tudo bem, e isso é o mais importante. A adrenalina já está passando um pouco, então a viagem de volta para casa vai ser longa, mas estou absolutamente bem”, declarou o piloto de 20 anos após ser liberado do centro médico.

Perigo do "Super Clipping" 

O motivo dessa diferença de velocidade tão perigosa tem nome: "super clipping". No novo regulamento de 2026, os carros dependem drasticamente da recarga das baterias. Colapinto estava justamente nesse processo, o que faz o carro perder potência de repente e funcionar apenas com o motor a combustão. “Houve um excesso de velocidade enorme, cerca de 50 km/h, o que faz parte dessas novas regras, e precisamos nos acostumar com isso, mas também senti que não me deram muito espaço”, completou Bearman, questionando a manobra do colega.

  • “Foi muito estranho, eu estava meio que à mercê dele. Acho que a diferença de velocidade foi enorme. É quase como se você estivesse na volta de aquecimento e outro piloto estivesse em volta rápida”, explicou o argentino.

Colapinto também se defendeu, explicando que estava "à mercê" do sistema do carro. Ele também reforça que a situação é um efeito colateral dos novos motores híbridos. Segundo ele, é preciso entender como tornar esse problema menor, já que em alguns trechos a diferença de velocidade se torna "realmente perigosa".

FIA e regulamento

A batida de Bearman entra para a história como uma das mais potentes da categoria, ficando no mesmo nível do impacto sofrido por Max Verstappen em Silverstone, em 2021. Diante do ocorrido, a Federação Internacional de Automobilismo (FIA) emitiu uma nota oficial garantindo que o regulamento de 2026 está em constante avaliação. A entidade afirmou que já existem reuniões marcadas para abril com equipes e fabricantes para analisar os dados colhidos nessas primeiras corridas.

Embora a FIA considere "prematuro" falar em mudanças imediatas, o clima nos bastidores é de urgência. Pilotos veteranos já vinham criticando a forma como a gestão de energia está afetando a segurança e a dinâmica das ultrapassagens.

Enquanto as discussões técnicas não chegam a um consenso, a Haas confirmou que Bearman não teve fraturas, sofrendo apenas uma contusão no joelho direito. O piloto já gravou vídeos para tranquilizar os fãs e deve estar pronto para a próxima etapa, mas o debate sobre o "super clipping" deve ganhar ainda mais força no paddock.