Fórmula 1

Verstappen detona novo regulamento e cogita aposentadoria no fim da temporada: "Antipilotagem"

Tetracampeão critica dependência de baterias e compara novos carros de 2026 ao "Mario Kart"

Próximas semanas serão decisivas para o piloto, que pode usar cláusulas de saída da Red Bull - Foto: Mark Thompson/Getty Images
Próximas semanas serão decisivas para o piloto, que pode usar cláusulas de saída da Red Bull - Foto: Mark Thompson/Getty Images

Gabriella Souza Publicado em 30/03/2026, às 11h38


Após terminar em oitavo lugar no GP do Japão neste domingo (29), Max Verstappen abriu o jogo sobre o seu futuro e admitiu que está "considerando seriamente" deixar a categoria ao final da temporada de 2026. O descontentamento do tetracampeão foi destaque em grandes veículos como o jornal holandês De Telegraaf e a rede britânica BBC.

Aos 29 anos, o piloto da Red Bull deixou claro que o problema não é a falta de vitórias, ele ocupa atualmente a nona posição no campeonato, mas sim o novo regulamento técnico que entrou em vigor este ano. Para Max, a pilotagem se tornou artificial e dependente demais das baterias elétricas, tirando o prazer de guiar um carro de corrida puro.

  • “Estou pensando sobre tudo dentro deste paddock. Na vida privada, estou muito feliz. Mas vale a pena? Ou eu aproveito mais estando em casa com a minha família?”, questionou o holandês.

Polêmica das baterias

O que mais irrita Verstappen e outros pilotos é o funcionamento das unidades de potência de 2026. Agora, metade da força do carro vem da parte elétrica, e recarregar essa energia durante a volta tem sido um desafio quase impossível. Isso causa o fenômeno do superclipping, onde o carro perde velocidade subitamente no meio das retas porque a bateria acabou. Verstappen, que já comparou os carros atuais ao jogo “Mario Kart”, foi enfático ao dizer que o modelo atual é “antipilotagem”.

Segundo o piloto, a estratégia de corrida agora foca mais em gerenciar botões e recargas do que no talento bruto ao volante.

  • "É claro que eu tento me adaptar a isso, mas não é legal a forma como você tem que correr. É realmente antipilotagem. Então chega a um ponto em que, sim, não é o que eu quero fazer. Claro que você pode olhar isso e fazer muito dinheiro. Legal. Mas no fim das contas isso não é mais sobre dinheiro, porque essa sempre foi minha paixão", afirmou Max, reforçando que aceitaria ser sétimo ou oitavo colocado se o regulamento fosse mais "natural".

Futuro incerto 

Embora tenha contrato com a Red Bull até 2028 e considere a equipe sua "segunda família", Verstappen pode usar cláusulas de desempenho para se liberar do vínculo já no fim deste ano. O jornalista Erik van Haren, do Telegraaf, aponta que as próximas semanas serão cruciais para essa decisão. Se o sentimento de insatisfação persistir, o mundo do automobilismo pode ver uma das aposentadorias mais precoces e impactantes da história da F1.

Enquanto a decisão não vem, Max segue tentando se adaptar, mas admite que é uma luta diária para encontrar motivação dentro do cockpit. A torcida agora aguarda os próximos passos do campeão, que tem se aventurado cada vez mais em corridas de longa duração fora da Fórmula 1, o que pode ser um indício de seu próximo destino nas pistas.