Economia

Agropecuária movimenta R$ 141,68 milhões na Baixada Santista, com banana como principal produto

Dados de 2025 mostram que a fruta respondeu por cerca de 97% do valor da produção regional, enquanto agricultores ampliam atividades com café, cacau, ovos e turismo rural

Produção de banana é responsável por cerca de 97% do Valor da Produção Agropecuária da Baixada Santista; propriedades da região também investem em café, cacau, criação de animais e turismo rural - Imagem: Arquivo AT
Produção de banana é responsável por cerca de 97% do Valor da Produção Agropecuária da Baixada Santista; propriedades da região também investem em café, cacau, criação de animais e turismo rural - Imagem: Arquivo AT

Redação Publicado em 12/08/2026, às 16h28


A produção agropecuária da Baixada Santista alcançou R$ 141,68 milhões em 2025, com a banana representando a maior parte desse valor, evidenciando a importância da agricultura na região, apesar da predominância de setores como turismo e comércio.

Foram colhidas mais de 3 milhões de caixas de banana, e a produção local também inclui café, cacau, maracujá e piscicultura, refletindo a diversificação das atividades agrícolas na área.

Programas públicos, como o Patrulha Agrícola e o Programa de Aquisição de Alimentos, têm apoiado os produtores locais, facilitando a infraestrutura e promovendo a segurança alimentar ao fornecer produtos a famílias em vulnerabilidade.

A produção agropecuária da Baixada Santista movimentou R$ 141,68 milhões em 2025, segundo dados da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo (SAA). A banana concentrou a maior parte desse resultado, com R$ 137,97 milhões, enquanto produtores da região também mantêm cultivos e atividades como café, cacau, maracujá, mandioca, criação de aves e piscicultura.

O levantamento mostra que foram colhidas 3.154.962 caixas de banana, cada uma com 21 quilos, ao longo do ano. O resultado coloca a fruta como principal atividade agropecuária da região, apesar da concentração econômica em atividades ligadas ao turismo, ao comércio e aos serviços nos municípios do litoral.

Produção de banana atravessa gerações

A história da banana na região também está ligada à agricultura familiar e à permanência de propriedades rurais ao longo das décadas. Um exemplo é o produtor Carlos Alberto Costa, conhecido como Costinha, de 78 anos, que mantém um sítio na área rural de Peruíbe. Nascido em Cubatão, Costinha herdou a atividade do pai e do avô materno. A propriedade foi adquirida pela família em 1963 e chegou a ter cerca de 55 mil pés de banana.

Durante a década de 1970, a produção alcançou um dos períodos de maior expansão e parte das frutas era destinada à exportação para a Argentina. Segundo o produtor, a concorrência internacional e as dificuldades relacionadas ao transporte reduziram a viabilidade das vendas para o exterior.

Com a mudança do mercado, a produção passou a atender principalmente consumidores da própria região. A propriedade também chegou a contar com uma estrutura para climatização das bananas, utilizada para abastecer municípios da Baixada Santista.

Atualmente, o número de plantas é significativamente menor. O sítio mantém entre 6 mil e 7 mil pés, com parte da produção destinada a iniciativas de compras públicas, como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), em Santos, e à alimentação escolar em Peruíbe.

Diversificação para manter a propriedade

A redução da produção de banana levou a família a buscar outras formas de geração de renda. No sítio, além da fruta, são cultivados café e cacau, e também há produção de ovos. O café passa por etapas de beneficiamento na própria propriedade, incluindo torra. Produtos cultivados no local também são utilizados na fabricação de doces e compotas.

A propriedade ainda incorporou atividades de turismo rural. O espaço recebe visitantes e grupos escolares e conta com restaurante e chalés, criando uma fonte adicional de receita para a família. A estratégia representa uma forma de adaptação diante das dificuldades enfrentadas pela agricultura, especialmente em relação à disponibilidade de trabalhadores para as atividades no campo.

Outros produtos aparecem no levantamento

Apesar da predominância da banana, o levantamento da Secretaria de Agricultura e Abastecimento identifica outras atividades econômicas no setor rural da Baixada Santista. O maracujá apresentou Valor da Produção Agropecuária (VPA) de R$ 1,04 milhão em 2025. A produção de ovos de galinha, por sua vez, alcançou R$ 1,58 milhão. Também aparecem no levantamento culturas como mandioca de mesa e batata-doce, além da piscicultura, atividade relacionada à criação e reprodução de peixes.

Segundo os dados do Lupa, a piscicultura estava presente em todas as unidades de produção com criação animal registradas em Praia Grande. Em Mongaguá, a atividade aparecia em 80% das unidades, enquanto em Peruíbe estava presente em 48%.

Programas públicos apoiam produtores

A Secretaria de Agricultura e Abastecimento mantém programas voltados ao fortalecimento da atividade rural nos municípios da região. Por meio do Patrulha Agrícola, três municípios receberam máquinas e equipamentos, em um investimento de R$ 677 mil. A iniciativa busca oferecer suporte à infraestrutura utilizada pelos produtores.

O programa Rotas Rurais realizou o endereçamento de 404 propriedades, distribuídas ao longo de 29,17 quilômetros de estradas rurais. De acordo com a secretaria, a medida facilita a localização das propriedades e pode contribuir para o deslocamento, o escoamento da produção e o atendimento de emergências. Já o Fundo de Expansão do Agronegócio Paulista (FEAP) destinou R$ 1,05 milhão por meio de contratos distribuídos entre sete municípios da Baixada Santista.

Agricultura familiar também abastece programas sociais

A produção rural regional também participa de políticas de segurança alimentar. Por meio do Programa de Aquisição de Alimentos, mais de 20 agricultores familiares de quatro municípios forneceram produtos utilizados na montagem de 5.103 cestas destinadas a famílias em situação de vulnerabilidade. O modelo permite que produtores tenham acesso a um mercado institucional para parte da produção, ao mesmo tempo em que os alimentos são direcionados a programas de assistência.


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