Polícia

Alerta de multinacional leva Receita a apreender 200 mil cigarros eletrônicos no porto de Santos

Mercadoria ilegal saiu da China e tinha como destino o Uruguai. Fiscais agiram após denúncia sobre a escala do navio no local

Contêiner com documentação falsa trazia milhares de cigarros eletrônicos, revelando um esquema de contrabando - Foto: Philip Morris e Receita Federal
Contêiner com documentação falsa trazia milhares de cigarros eletrônicos, revelando um esquema de contrabando - Foto: Philip Morris e Receita Federal

Redação Publicado em 24/09/2026, às 10h12


O que deveria ser apenas um lote comum de equipamentos importados escondia, na verdade, uma carga gigantesca e totalmente ilegal. Um grande contêiner que saiu do porto de Yantian, na China, cruzou o oceano com a documentação apontando que transportava apenas telas de LED e outros dispositivos convencionais. O destino final da viagem seria Montevidéu, no Uruguai. No entanto, o plano dos contrabandistas foi interrompido de forma inesperada durante uma parada estratégica do navio no porto de Santos.

Nessa escala em território nacional, as autoridades brasileiras realizaram uma inspeção minuciosa e descobriram que a papelada da mercadoria era falsa. Ao abrir as portas do contêiner metálico, os agentes não encontraram os painéis luminosos que estavam descritos no papel. Em vez disso, se depararam com milhares de caixas repletas de cigarros eletrônicos contrabandeados. De acordo com o balanço da operação, realizada em 18 de setembro, cerca de 200 mil unidades dos famosos "vapes" foram recolhidas.

O alerta que mudou a rota do contrabando

A descoberta de todo esse material não aconteceu por acaso. A operação de fiscalização só foi montada graças a um aviso muito bem fundamentado. Uma equipe especializada em prevenção ao comércio ilícito, que faz parte da Philip Morris International (PMI), uma das maiores multinacionais fabricantes de tabaco do mundo, estava monitorando a carga suspeita desde a origem.

Ao perceber que o navio faria uma escala intermediária no Brasil antes de seguir viagem para o país vizinho, os especialistas da empresa emitiram um alerta formal. Eles entraram em contato direto com a Coordenadoria-Geral de Administração Aduaneira (Coana), que é o departamento estratégico da Receita Federal responsável por vigiar as fronteiras.

Quase a totalidade da carga era ilegal

Com as informações precisas em mãos, as equipes da alfândega foram direto ao alvo. Durante a checagem física dos produtos, a constatação foi clara: os fiscais perceberam que impressionantes 95% de todo o espaço do contêiner estava preenchido com os dispositivos para fumar. A mercadoria não possuía qualquer tipo de declaração verdadeira, comprovante de impostos ou autorização legal para ser comercializada.

Como os produtos ilegais foram retidos durante o trânsito internacional da embarcação, a Receita Federal confiscou todo o material imediatamente. O órgão não divulgou informações sobre prisões de suspeitos envolvidos no esquema, mas as investigações devem continuar para tentar identificar os responsáveis pelo envio e quem receberia o carregamento milionário no destino final.