SINDGRAN convoca manifestação pacífica para o dia 25 de março e acusa prática de exigir pagamento dos transportadores como condição para ingresso no porto

Redação Publicado em 24/03/2026, às 09h20
Os transportadores autônomos de cargas a granel da Baixada Santista vão paralisar suas atividades por 24 horas a partir das 8h da próxima quarta-feira, 25 de março. A mobilização, convocada pelo SINDGRAN (Sindicato dos Transportadores Autônomos de Cargas a Granel de Santos, Guarujá e Cubatão), ocorrerá no Pátio Regulador de Cubatão e tem como alvo uma prática que a entidade considera ilegal: a exigência de pagamento pelos pátios reguladores como condição para que os caminhoneiros possam ingressar nas operações portuárias.
Em comunicado oficial encaminhado a mais de uma dezena de órgãos públicos e concessionárias, o sindicato afirma que a cobrança contraria a norma NAP SUPOP.OPR.016/2024, que não prevê qualquer obrigação desse tipo imposta aos transportadores. A entidade defende que a exigência fere a legalidade e onera injustamente a categoria.
O movimento terá caráter pacífico e ordeiro, sem bloqueio de vias públicas, segundo o documento assinado pelo presidente do SINDGRAN, José Cavalcanti de Andrade. A orientação é que os associados mantenham conduta colaborativa e respeitem as determinações das autoridades.
A comunicação foi enviada para:
O amplo espectro de destinatários evidencia a preocupação do sindicato em garantir transparência e evitar qualquer interpretação de que se trata de um movimento surpresa ou desordenado.
O que está em jogo
A insatisfação dos transportadores de granel gira em torno da cobrança feita pelos pátios reguladores – espaços privados onde os caminhões aguardam a liberação para acessar os terminais portuários. De acordo com o SINDGRAN, os gestores desses pátios vêm exigindo pagamento dos caminhoneiros autônomos como condição para permitir o ingresso nas operações, prática que a entidade considera não respaldada pela norma vigente.
A NAP SUPOP.OPR.016/2024, editada pela Autoridade Portuária de Santos, estabelece regras para a gestão do fluxo de caminhões no Porto de Santos, mas, na avaliação do sindicato, não autoriza a transferência desse custo aos transportadores autônomos.
Diálogo aberto, mas paralisação mantida
Apesar da convocação da paralisação, o SINDGRAN deixa explícita sua disposição para o diálogo institucional. No comunicado, o presidente José Cavalcanti de Andrade afirma que o sindicato “coloca-se à disposição para diálogo institucional e eventual mediação, visando a solução da questão de forma adequada e célere”.
A sinalização indica que a categoria não descarta uma negociação de última hora que possa suspender o movimento, caso haja avanços concretos. Até o fechamento desta edição, a APS e a Ecopátio Logística não haviam se manifestado oficialmente sobre o protesto.
Impactos esperados
A paralisação concentrada no Pátio Regulador de Cubatão pode afetar o fluxo de caminhões que atendem os terminais do cais santista, especialmente os voltados a cargas a granel – um dos segmentos mais estratégicos para o complexo portuário. A movimentação de açúcar, farelo, grãos e outros produtos a granel responde por parcela significativa da movimentação anual do Porto de Santos.
Apesar da garantia de que não haverá bloqueio de vias, a redução da oferta de caminhões durante 24 horas tende a gerar reflexos na programação logística de operadores portuários e exportadores.
Histórico de tensões
Essa não é a primeira vez que os transportadores autônomos da Baixada Santista entram em confronto com a gestão dos pátios reguladores. Em 2025, movimentos semelhantes já haviam sido articulados, com críticas à forma como os pátios privados operam e à falta de regulamentação clara sobre a responsabilidade pelos custos de espera.
A atual paralisação ocorre em um momento de alta demanda no porto, o que pode aumentar a pressão sobre as autoridades para uma solução negociada.
Próximos passos
A programação do SINDGRAN prevê a concentração dos manifestantes a partir das 8h da quarta-feira, com a suspensão das atividades por 24 horas. A expectativa da entidade é que, ao final do período, haja uma resposta das empresas envolvidas e dos órgãos públicos para tratar do mérito da questão.
Enquanto isso, a categoria aguarda a reação dos destinatários do comunicado – e a eventual abertura de uma mesa de negociação que possa pôr fim à disputa antes que os reflexos operacionais se ampliem.
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