Com mais de R$ 470 milhões em dívidas de curto prazo, a administração do clube precisa de um controle financeiro

Redação Publicado em 04/04/2026, às 14h23
O ano de retorno do time à elite do futebol brasileiro foi marcado por uma arrecadação financeira que surpreendeu e superou todas as expectativas internas da diretoria. Durante a última temporada, a equipe conseguiu levantar quase R$ 700 milhões em receitas totais. Para se ter uma ideia, esse valor exato de R$ 678,5 milhões ficou 60% acima do que o clube havia planejado nos orçamentos do início do ano, que giravam em torno de R$ 423 milhões.
O sucesso nos números de arrecadação foi puxado, principalmente, pelos bons contratos de direitos de transmissão na TV e pelo salto no programa de sócios-torcedores, que rendeu sozinho R$ 50 milhões. A venda de atletas também foi um fator decisivo para encher o caixa: as negociações trouxeram R$ 188,5 milhões, quase o dobro dos R$ 100 milhões que eram esperados pelos administradores.
Apesar dessa injeção gigantesca de dinheiro novo, a saúde financeira do clube ainda vive uma situação bastante delicada e preocupante. O balanço oficial, que será votado pelos conselheiros na próxima segunda-feira, em reunião na Vila Belmiro, revela que o endividamento total está beirando a assustadora marca de R$ 1 bilhão. Mais precisamente, a dívida fechou o calendário de 2025 na casa dos R$ 998,5 milhões. Se somarmos todas as obrigações e compromissos gerais, o chamado passivo total já ultrapassa R$ 1,23 bilhão.
Contas no vermelho
A dor de cabeça da administração fica ainda mais evidente quando se olha para os prazos de pagamento. Desse montante bilionário, mais de R$ 470 milhões são referentes a dívidas de curto prazo, ou seja, contas urgentes que precisam ser pagas obrigatoriamente nos próximos doze meses. Já os débitos com vencimento mais longo, que ficam para os anos seguintes, ultrapassam a barreira dos R$ 761 milhões. Existe também um compromisso extra de R$ 233,4 milhões em receitas que o time já recebeu de forma antecipada, mas que dependem de entregas futuras e, por regra, não entram nesse cálculo principal de dívida.
Mesmo com as despesas lá no alto, o dinheiro extra das vendas ajudou a diminuir um pouco o tombo no fechamento do ano. A equipe encerrou 2025 com um prejuízo (déficit) de R$ 79,3 milhões, um resultado amargo, mas que acabou sendo menor do que o rombo de quase R$ 90 milhões previsto inicialmente.
Diante desse cenário desafiador, o Conselho Fiscal elaborou um documento com alertas sérios para a alta cúpula. O órgão demonstrou muita preocupação e recomendou que a diretoria tenha um controle bem mais rígido com os gastos diários. Eles também orientaram que o time pare de depender tanto de dinheiros que não são fixos e garantidos, como a venda de jovens jogadores. Mesmo com os puxões de orelha, o conselho decidiu, de forma unânime e apoiado por uma auditoria independente, recomendar a aprovação das contas do atual presidente na votação da semana que vem.
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