Infraestrutura

Cetesb autoriza etapa ambiental para 3ª pista da Imigrantes, projeto de R$ 8 bilhões

Nova ligação entre o planalto e a Baixada Santista prevê túneis extensos e aumento da capacidade viária

Projeto da terceira pista da Rodovia dos Imigrantes prevê túneis extensos e ampliação da capacidade de tráfego entre o planalto e o litoral paulista - Imagem: Alexsander Ferraz/A Tribuna Jornal
Projeto da terceira pista da Rodovia dos Imigrantes prevê túneis extensos e ampliação da capacidade de tráfego entre o planalto e o litoral paulista - Imagem: Alexsander Ferraz/A Tribuna Jornal

Redação Publicado em 31/03/2026, às 16h06


A Cetesb autorizou a fase prévia do licenciamento ambiental para a construção da terceira pista da Rodovia dos Imigrantes, um projeto de R$ 8 bilhões que visa aumentar a capacidade viária em 25%, impactando diretamente o acesso ao Porto de Santos.

O projeto inclui 21,65 quilômetros de extensão, cinco túneis e oito estruturas especiais, priorizando a construção subterrânea para minimizar impactos na Mata Atlântica, embora a escavação prevista seja significativa, com 4 milhões de metros cúbicos a serem removidos.

Ainda aguardando a Licença de Instalação para iniciar as obras, o projeto está sob a supervisão do Ministério Público, que investiga os impactos ambientais, enquanto a concessionária planeja concluir essa fase no segundo semestre.

A Cetesb autorizou a fase prévia do licenciamento ambiental para a construção da terceira pista da Rodovia dos Imigrantes, um dos maiores projetos de infraestrutura viária em andamento no estado. A emissão da licença confirma a viabilidade ambiental do empreendimento, mas não autoriza, por enquanto, o início das obras.

Com investimento estimado em R$ 8 bilhões, o projeto prevê a criação de um novo eixo rodoviário com 21,65 quilômetros de extensão na região de serra. O traçado inclui cinco túneis e oito estruturas especiais, como pontes e viadutos, com destaque para um túnel de mais de seis quilômetros — que, se confirmado, será o maior do Brasil.

A proposta técnica prioriza a construção subterrânea como estratégia para reduzir impactos ambientais, especialmente em áreas sensíveis da Mata Atlântica. Ainda assim, o volume de escavação é expressivo: cerca de 4 milhões de metros cúbicos de solo e rocha deverão ser removidos ao longo da obra, o equivalente a aproximadamente 1.600 piscinas olímpicas.

De acordo com os estudos ambientais, estão previstas medidas de mitigação para controle de poeira, ruído, preservação de recursos hídricos e proteção da fauna e flora. Equipes multidisciplinares participaram da elaboração do projeto, incluindo engenheiros, geólogos e biólogos.

O traçado da nova pista terá início na altura do km 43 da Imigrantes, com conexão ao Rodoanel Mário Covas. No litoral, a ligação será feita no km 265 da Rodovia Cônego Domênico Rangoni, próximo ao polo industrial de Cubatão — ponto estratégico para o escoamento de cargas.

A expectativa é que a nova estrutura aumente em cerca de 25% a capacidade total do sistema viário e mais do que dobre a capacidade de tráfego de veículos pesados, como caminhões e ônibus. O impacto direto deve ser sentido no acesso ao Porto de Santos, considerado o maior da América Latina.

Apesar do avanço, o projeto ainda depende da emissão da Licença de Instalação, etapa que autoriza o início das obras com base no cumprimento de exigências ambientais. A previsão da concessionária responsável é concluir essa fase ao longo do segundo semestre.

O empreendimento também está sob acompanhamento do Ministério Público, que instaurou inquérito para avaliar possíveis impactos ambientais e garantir a regularidade do processo de licenciamento, já que parte do traçado atravessa áreas de proteção ambiental.

Além da questão ambiental, o projeto é visto como essencial para atender à crescente demanda logística da região. Dados apontam que milhões de toneladas de cargas passam anualmente pelo sistema Anchieta-Imigrantes, com projeções de crescimento nas próximas décadas.