Fenômeno natural

Espuma se espalha por praia de Ilha Comprida após enchentes no Vale do Ribeira

Professor da USP explica que o fenômeno pode ter sido intensificado pela matéria orgânica transportada pelas chuvas; Cetesb alerta para praias impróprias para banho no município

Espuma se espalhou pela faixa de areia e pelo mar na praia do Boqueirão Sul, em Ilha Comprida, no sábado (19). Especialista da USP explica que o fenômeno é natural e pode ter sido intensificado pela matéria orgânica transportada pelas recentes enchentes - Imagem: Giuliane Cubas
Espuma se espalhou pela faixa de areia e pelo mar na praia do Boqueirão Sul, em Ilha Comprida, no sábado (19). Especialista da USP explica que o fenômeno é natural e pode ter sido intensificado pela matéria orgânica transportada pelas recentes enchentes - Imagem: Giuliane Cubas

Redação Publicado em 21/09/2026, às 16h48


Uma grande quantidade de espuma cobriu a praia do Boqueirão Sul, em Ilha Comprida, possivelmente devido ao aumento de matéria orgânica trazida pelas enchentes no Vale do Ribeira, levantando preocupações sobre os impactos na fauna local.

O fenômeno é natural, mas pode ser intensificado por chuvas que transportam poluentes como fertilizantes e esgoto, com a recente inundação na região contribuindo para a formação da espuma.

A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB) informou que três praias estão impróprias para banho, mas não avaliou especificamente a espuma do Boqueirão Sul, recomendando evitar o banho após chuvas intensas devido ao risco de contaminação.

Uma extensa camada de espuma tomou parte do mar e da faixa de areia da praia do Boqueirão Sul, em Ilha Comprida, no sábado (19). O fenômeno foi registrado em vídeo por uma moradora da região e pode estar relacionado ao aumento da matéria orgânica transportada até o oceano pelas enchentes que atingiram o Vale do Ribeira. Segundo o professor Alexander Turra, do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (USP), a formação de espuma é um processo natural, mas pode ser intensificada pelas condições ambientais.

As imagens foram feitas por Giuliane Cubas, de 47 anos, moradora de Cananéia. Ela havia atravessado a balsa em direção a Ilha Comprida quando encontrou a grande quantidade de espuma. Segundo seu relato, a formação se estendia por quilômetros, cobrindo trechos da praia e da superfície do mar.

A moradora demonstrou preocupação com os possíveis efeitos sobre a fauna do estuário, principalmente ostras, mariscos e crustáceos, que dependem das condições ambientais da água.

De acordo com Alexander Turra, a espuma se forma quando a agitação das ondas interage com a matéria orgânica presente no ambiente marinho. Esse material pode ter origem natural, mas também pode ser transportado do continente durante períodos de chuva intensa. O especialista explicou que as enchentes podem aumentar a quantidade de substâncias levadas ao mar, incluindo materiais provenientes de áreas agrícolas e urbanas, como fertilizantes e esgoto. No entanto, a contribuição específica de cada fonte para o episódio registrado em Ilha Comprida não foi determinada.

A possibilidade de intensificação do fenômeno está associada às enchentes que atingiram o Vale do Ribeira entre a segunda e a terceira semanas de setembro. Após chuvas fortes e contínuas em São Paulo e no Paraná, o Rio Ribeira de Iguape apresentou uma elevação expressiva e transbordou em diversos municípios.

Eldorado, Registro, Ribeira, Iporanga e Barra do Turvo decretaram situação de emergência em consequência das inundações. O avanço das águas afetou áreas urbanas e rurais, além de transportar materiais presentes no solo e nas margens dos rios.

Segundo o professor da USP, a espuma altera principalmente o aspecto visual da praia, mas concentrações muito elevadas de matéria orgânica podem produzir efeitos ambientais mais amplos. Ao se decompor, esse material libera nutrientes que podem favorecer o crescimento de algas. Em situações extremas, especialmente em ambientes com pouca circulação de água, a proliferação excessiva desses organismos pode contribuir para a redução do oxigênio disponível e afetar a sobrevivência de outras espécies.

Turra ressalta, entretanto, que esses impactos mais graves dependem de condições específicas. A presença da espuma, por si só, não comprova que tenha ocorrido contaminação ou dano à biodiversidade na praia do Boqueirão Sul.

Procurada sobre as condições das praias do município, a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) informou que três pontos monitorados estavam classificados como impróprios para banho: Balneário Adriana, Centro e Prainha.

A classificação divulgada pela companhia não inclui uma avaliação específica da espuma observada no Boqueirão Sul. Portanto, não é possível estabelecer, apenas com as informações disponíveis, se a formação registrada no sábado representa um risco sanitário naquele trecho. A Cetesb também recomenda evitar o banho de mar nas 24 horas seguintes a episódios de chuva intensa. Nesse período, a água pode receber materiais e contaminantes transportados pelas enxurradas, aumentando os riscos à saúde dos banhistas.

A Prefeitura de Ilha Comprida foi procurada para comentar a ocorrência, mas não havia respondido até a última atualização da reportagem.