Obra bilionária prevê ligação submersa inédita no país e depende de articulação com a União para liberação total dos recursos

Redação Publicado em 21/03/2026, às 15h50
O Governo de São Paulo autorizou a abertura de crédito suplementar de R$ 2,64 bilhões para a construção do túnel que ligará Santos a Guarujá, um projeto orçado em R$ 7 bilhões que visa melhorar a mobilidade na região.
A obra, que será realizada por meio de uma Parceria Público-Privada, contará com aproximadamente R$ 5,2 bilhões de recursos públicos e é considerada estratégica por ser o primeiro túnel submerso do Brasil.
Embora a liberação estadual tenha avançado, o projeto enfrenta entraves federais devido à suspensão de repasses pela União, que exige um modelo de governança para a gestão dos investimentos antes da liberação dos recursos.
O Governo do Estado de São Paulo autorizou, na sexta-feira (20), a abertura de crédito suplementar de R$ 2,64 bilhões para viabilizar a construção do túnel que ligará Santos a Guarujá, no litoral paulista. A medida foi oficializada por decreto publicado no Diário Oficial e integra o planejamento financeiro para uma das obras mais aguardadas da região.
O empreendimento, estimado em cerca de R$ 7 bilhões, será executado por meio de uma Parceria Público-Privada (PPP). Do total previsto, aproximadamente R$ 5,2 bilhões devem ser custeados com recursos públicos, divididos entre o governo estadual e a União, enquanto o restante ficará sob responsabilidade da concessionária.
Considerado um projeto estratégico, o túnel será o primeiro submerso do Brasil. A estrutura terá cerca de 1,5 quilômetro de extensão, sendo aproximadamente 870 metros imersos, criando uma ligação direta entre as duas cidades e reduzindo a dependência do sistema de balsas e das rotas rodoviárias atuais.
O contrato para execução da obra foi firmado após leilão realizado em setembro de 2025, vencido pelo grupo português Mota-Engil, que ficará responsável pela construção, operação e manutenção do sistema ao longo de 30 anos.
Apesar do avanço com a liberação estadual, o projeto ainda enfrenta entraves relacionados à participação federal. O Tribunal de Contas da União determinou a suspensão temporária do repasse de recursos da União, solicitando a formalização de um modelo de governança que defina a gestão dos investimentos.
A exigência inclui a apresentação de um documento conjunto entre o governo paulista e a Autoridade Portuária de Santos, com prazo estabelecido para regularização. A liberação dos valores federais está condicionada ao cumprimento dessa etapa.
Mesmo com o impasse, o governo estadual afirma que o cronograma segue mantido e que a estruturação do projeto garante a continuidade das etapas previstas.
Além de melhorar a mobilidade urbana, a obra é vista como fundamental para o desenvolvimento logístico da região, com impacto direto nas operações do Porto de Santos e no escoamento de cargas, fortalecendo a economia do litoral paulista.
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