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Retirada do navio histórico Prof. W. Besnard do Porto de Santos deve começar nesta semana

Operação de reflutuamento do navio visa estabilizar a embarcação e minimizar riscos ambientais no Porto de Santos

A APS busca restaurar a normalidade no cais e preservar o legado histórico do Prof. W. Besnard após o resgate - Foto: Reprodução
A APS busca restaurar a normalidade no cais e preservar o legado histórico do Prof. W. Besnard após o resgate - Foto: Reprodução

Redação Publicado em 01/04/2026, às 09h17


A Autoridade Portuária de Santos (APS) deu sinal verde para o início da operação de resgate do navio oceanográfico Prof. W. Besnard. A embarcação, um ícone da ciência brasileira que adernou no último dia 13 de março, passará por um processo de reflutuamento programado para começar ainda nesta semana. Segundo o presidente da APS, Anderson Pomini, a expectativa é que o navio esteja estabilizado em um prazo de quatro a cinco dias, mitigando riscos operacionais e ambientais no estuário.

A operação foi viabilizada por meio de uma contratação emergencial publicada nesta terça-feira (31) no Diário Oficial da União. Após a análise de propostas de cinco empresas especializadas, a Marfort Serviços Marítimos foi a escolhida para conduzir os trabalhos. O contrato, com vigência de seis meses, é abrangente e inclui desde o plano de mergulho e içamento até a contenção de possíveis poluentes e a futura docagem em estaleiro para avaliação técnica.

Embora o navio pertença atualmente ao Instituto do Mar, após anos de serviços prestados à Universidade de São Paulo (USP), a APS assumiu as rédeas da situação devido ao estado de emergência declarado pela Capitania dos Portos. A medida visa resguardar a segurança da navegação no Porto de Santos, uma vez que a embarcação permanece parcialmente submersa junto ao cais, exigindo monitoramento constante da Marinha e das autoridades portuárias.

O Prof. W. Besnard não é apenas uma estrutura de ferro; ele é um dos maiores símbolos da oceanografia do país. O navio foi protagonista da primeira expedição brasileira à Antártida e realizou dezenas de missões científicas fundamentais para o conhecimento do Atlântico Sul. Por isso, a etapa final do contrato prevê uma análise rigorosa em estaleiro para verificar se ainda há possibilidade de recuperação, mesmo que parcial, preservando o legado histórico da embarcação.

Etapas 

O plano de trabalho da Marfort Serviços Marítimos seguirá um cronograma técnico rigoroso para garantir o sucesso do içamento:

  • Metodologia de reflutuação: uso de bombas de alta capacidade e vedação de compartimentos.
  • Segurança operacional: monitoramento de mergulhadores para inspeção de casco e amarrações.
  • Prevenção ambiental: instalação de barreiras de contenção para evitar vazamento de resíduos.
  • Avaliação em estaleiro: diagnóstico estrutural completo após a retirada do Porto.

Com esta força-tarefa, a Autoridade Portuária espera encerrar um capítulo crítico iniciado no meio de março, devolvendo a normalidade ao trecho do cais e honrando a trajetória científica do Besnard.