Vídeos das agressões e relatos de vítimas revelam um ambiente de abuso e humilhação no alojamento da escola

Redação Publicado em 16/03/2026, às 10h58
Justiça determina prisão de envolvidos em agressões em alojamento escolar
A investigação sobre um suposto "trote" violento na Escola Técnica Estadual (Etec) de Iguape teve um desfecho severo no último sábado (14). A Polícia Militar cumpriu mandados de prisão e busca e apreensão contra três estudantes acusados de torturar calouros dentro do alojamento da instituição. Um jovem de 18 anos foi preso em flagrante, enquanto dois adolescentes, de 15 e 16 anos, foram apreendidos e levados para a Fundação Casa de Peruíbe.
O caso, que chocou a comunidade escolar, começou a ser investigado na última quarta-feira (11). Embora o registro inicial tenha sido de lesão corporal, a Polícia Civil elevou a gravidade da apuração para os crimes de tortura, constrangimento ilegal e lesão corporal.
As evidências colhidas, que incluem vídeos das agressões gravados pelos próprios suspeitos, mostram que os calouros eram submetidos a humilhações e ataques físicos sistemáticos.
Detalhes das agressões e o "Dia da Libertação"
De acordo com os relatos das famílias das vítimas, o grupo de veteranos atuava como uma liderança abusiva no alojamento, que abriga 28 alunos. Os calouros eram obrigados a participar de um "juramento de trote" e orientados a não denunciar as agressões aos funcionários da escola. Os atos de violência incluíam o uso de alicates, pedaços de cano, cintos e até facas. Em um dos episódios mais graves, um familiar descobriu um ferimento por alicate no peito de um dos jovens.
As sessões de tortura ocorriam principalmente durante a semana, no período da noite. Segundo depoimentos, os investigados estabeleceram uma data macabra para o fim dos abusos: o "Dia da Libertação", marcado para o próximo dia 18 de março. Durante as buscas, a polícia apreendeu celulares, dois alicates e uma faca. Nos aparelhos, foram encontrados vídeos onde as vítimas aparecem implorando pelo fim das agressões, o que foi determinante para a Justiça aceitar o pedido de prisão do trio.
Posicionamento da instituição e medidas de segurança
A Etec Engenheiro Agrônomo Narciso de Medeiros publicou uma nota de repúdio, afirmando que a comunidade escolar está indignada com os fatos. Um comitê de crise foi criado para acompanhar o caso, e a primeira medida adotada foi o afastamento imediato dos três alunos envolvidos. O Centro Paula Souza (CPS), órgão que administra as Etecs, reforçou que apura os fatos com rigor e que os agressores seguirão com atividades remotas enquanto os trâmites legais avançam.
O Conselho Tutelar também está acompanhando as vítimas, garantindo suporte psicológico e medidas de proteção. A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) informou que as diligências continuam para identificar se há outros envolvidos ou vítimas. A escola busca agora restabelecer o ambiente de paz para os demais estudantes que residem no alojamento, enquanto as famílias dos jovens agredidos cobram punições exemplares e maior fiscalização interna.
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