Prisão ocorreu depois investigação da Polícia Civil, que rastreou o suspeito usando dados de aplicativos

Gabriella Souza Publicado em 03/12/2025, às 08h13
Um homem de 26 anos, chamado Antonio Carlos Soares Junior, foi detido em Itanhaém, sob a acusação de assediar e aliciar crianças e adolescentes através de uma plataforma digital. A prisão aconteceu depois que a avó de uma menina de apenas 10 anos descobriu um verdadeiro pesadelo nas conversas da neta.
A idosa encontrou fotos e textos de teor sexual trocados entre a neta e Antonio. A partir dessa denúncia, a Polícia Civil deu início a uma investigação que resultou na localização e prisão do suspeito.
Como a polícia chegou ao suspeito?
A equipe de investigação do 42º Distrito Policial, em São Paulo, comandada pelo delegado Alexandre Bento, foi fundamental para rastrear e localizar o acusado. Para chegar a Antonio, os agentes usaram uma combinação de informações, como a foto de perfil dele no aplicativo, dados de registro da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e até mesmo registros de um app de entregas.
A prisão ocorreu em 23 de novembro, quando a polícia cumpriu mandados judiciais de busca, apreensão e detenção na casa do suspeito, localizada no bairro Nossa Senhora do Sion. No imóvel, foram recolhidos celulares e computadores. Esses aparelhos são peças-chave e estão passando por uma análise detalhada para descobrir mais detalhes sobre a conduta do homem.
Durante seu depoimento, Antonio confirmou que trocou mensagens com a garota. Ele tentou justificar os atos dizendo que tudo não passava de um "jogo", no qual ele representava o papel de "dominador". O que mais choca é que, mesmo percebendo claramente que estava falando com uma criança ou adolescente, ele afirmou que manteve o papo por sentir "prazer" naquela situação.
O suspeito confessou aos policiais que sabia estar agindo de forma errada e até reconheceu a necessidade de procurar ajuda psicológica. No entanto, ele insistiu que todos os contatos com menores de idade aconteceram apenas no ambiente virtual, negando encontros presenciais.
Até o momento, a defesa de Antonio Carlos Soares Junior não foi encontrada para comentar as acusações.
Perfil na rede social e o crime de "grooming"
A avó da vítima procurou a polícia assim que descobriu que a menina estava conversando com adultos estranhos pelo Snapchat. Um dos perfis era o de Antonio, que usava o nome 'yblackspider' e acumulava quase quatro mil seguidores, sendo a maioria de crianças e jovens.
Ele enviava fotos de conteúdo sexual, pressionava a vítima a mandar fotos de volta e fazia comentários com conotação sexual nos vídeos em que a menina aparecia dançando.
Segundo o relatório oficial da Polícia Civil, ficou evidente que o detido promovia uma interação sexual com a criança. Este tipo de crime é conhecido internacionalmente como grooming.
O que é Grooming?
Previsto na lei brasileira pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), o grooming se caracteriza como o ato de aliciar, instigar, assediar ou forçar uma criança ou adolescente, por qualquer meio de comunicação, com o objetivo de praticar algum ato de natureza sexual.
O tema do aliciamento de menores e a sexualização de crianças na internet tem sido muito discutido. Em setembro deste ano, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou uma lei para combater a chamada “adultização” de crianças nas redes. Essa nova regra exige que os serviços digitais vinculem os perfis de menores a um responsável e removam conteúdos abusivos, buscando proteger esse público vulnerável.
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