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Com 70% das obras concluídas, Guarujá acelera megaprojeto de R$ 120 milhões contra alagamentos

Intervenção que consome 390 toneladas de aço foi destravada pela atual gestão municipal e promete anular o efeito da maré alta nas enchentes

Com estruturas de contenção e tecnologia inovadora, a obra visa combater alagamentos e melhorar a infraestrutura urbana - Foto: Divulgação/ Prefeitura de Guarujá
Com estruturas de contenção e tecnologia inovadora, a obra visa combater alagamentos e melhorar a infraestrutura urbana - Foto: Divulgação/ Prefeitura de Guarujá

Redação Publicado em 28/05/2026, às 10h15


A maior intervenção de engenharia hidráulica da história de Guarujá entrou em contagem regressiva. O prefeito Farid Madi foi pessoalmente ao bairro Santo Antônio, na manhã desta quarta-feira (27), para vistoriar o andamento das obras de macrodrenagem da bacia do Rio Santo Amaro. O projeto, considerado uma das maiores obras de infraestrutura urbana em execução no Estado de São Paulo, alcançou a marca de 70% das suas estruturas físicas totalmente concluídas, trazendo alívio para uma região historicamente castigada pelas enchentes.

A grandiosidade do projeto impressiona pelos números de engenharia civil. Para erguer as estruturas de contenção, serão utilizados cerca de 8,5 mil metros cúbicos de concreto, volume que daria para encher mais de três piscinas olímpicas regulamentares, além de quase 390 toneladas de aço estrutural. O complexo subterrâneo e de superfície conta ainda com mais de 12 quilômetros de estacas cravadas no solo movediço da Baixada Santista, além de novas tubulações, pavimentação asfáltica, calçadas acessíveis, guias, sarjetas e projeto de paisagismo no entorno dos canais.

Casas de bombas e o segredo contra as marés

Diferente dos sistemas de drenagem convencionais, a engenharia da bacia do Santo Amaro foi desenhada para atuar de forma integrada, combatendo os dois maiores gargalos do litoral: o volume de temporais e a influência da maré alta do estuário, que costuma represar a água e alagar as ruas. O segredo do funcionamento do sistema baseia-se em três pilares tecnológicos:

  • Reservatórios de Amortecimento (Piscinões): Serão três grandes reservatórios escavados no final de cada canal, próximos à margem do rio, protegidos por um dique de contenção. Eles vão reter temporariamente a água da chuva para que ela não invada as casas.
  • Válvulas FLAP: Foram instaladas 30 unidades dessas comportas mecânicas unidirecionais. Elas funcionam como uma barreira inteligente: permitem que a água dos canais saia em direção ao rio, mas se fecham hermeticamente quando a maré sobe, impedindo que a água do mar retorne e transborde na cidade.
  • Casas de Bombas: Três usinas de bombeamento de alta potência serão responsáveis por sugar a água acumulada nos piscinões e jogá-la de forma controlada e forçada para o leito do rio, mesmo durante os picos de maré cheia.

O secretário de Infraestrutura e Obras (Seinfra), que acompanhou o chefe do Executivo na vistoria técnica, apontou que o cronograma está acelerado. "A população esperou muito por essa obra. Agora, o nosso compromisso é concluir e transformar esse investimento em um resultado real benéfico para a cidade", destacou Farid Madi durante a inspeção dos canais e galerias de reforço.

Articulação para destravar o projeto parado

A atual fase de ritmo intenso acontece após um longo período de incertezas e abandono. O contrato original do projeto havia sido firmado com a Caixa Econômica Federal ainda em 2021, prevendo um investimento global de R$ 120 milhões. O cronograma inicial estipulava a entrega completa das melhorias para o ano de 2023, mas erros de planejamento e crises contratuais fizeram com que os canteiros de obras fossem completamente paralisados no decorrer de 2024.

O cenário só mudou após a troca de gestão no Executivo. Por determinação direta do novo prefeito, o governo municipal iniciou uma série de rodadas de negociações em Brasília e junto aos técnicos do banco estatal para auditar o contrato e corrigir as falhas que travavam os repasses financeiros. Após destravar a burocracia, o município oficializou a retomada dos operários e das máquinas no dia 25 de agosto de 2025.

"Quando assumimos, encontramos a obra parada, com diversas pendências que precisavam ser resolvidas com responsabilidade, e nós fomos atrás da solução. Hoje em Guarujá focamos em infraestrutura, planejamento e temos coragem para resolver os problemas", desabafou o prefeito, sinalizando que a entrega definitiva da macrodrenagem é a principal meta de zeladoria da atual administração para blindar o bairro Santo Antônio contra as cheias nos próximos anos.