Polícia

Tribunal impõe pena de 8 anos e 5 meses a PM da reserva envolvido em ocorrência com armas e surto em Santos

Sentença da 1ª Vara Criminal de Praia Grande mantém prisão preventiva de Hércules Adriano dos Santos. Defesa alega surto psicótico e que vai recorrer

Durante a operação, a polícia apreendeu uma pistola Glock e várias armas sem numeração, além de munições, todas perdidas judicialmente - Foto: Matheus Croce/ TV Tribuna e Redes Sociais
Durante a operação, a polícia apreendeu uma pistola Glock e várias armas sem numeração, além de munições, todas perdidas judicialmente - Foto: Matheus Croce/ TV Tribuna e Redes Sociais

Redação Publicado em 27/10/2026, às 10h22


Tudo começou no dia 17 de fevereiro, quando a esposa de um policial militar da reserva ligou para a polícia após ouvir disparos de arma de fogo dentro de casa, em Santos. O que parecia uma discussão doméstica logo virou uma ocorrência de grandes proporções. O morador, identificado como Hércules Adriano dos Santos, pegou o carro e saiu disparado, dando início a uma perseguição que durou cerca de 40 quilômetros pelas estradas da região até chegar na Rodovia Padre Manoel da Nóbrega, na divisa com Mongaguá. Durante a tentativa de fuga, ele jogou o veículo para cima das viaturas e acabou sendo baleado pelas equipes policiais. Após passar por cirurgia e receber alta, ele foi transferido para um presídio militar.

Meses depois desse episódio tumultuado, a Justiça tomou uma decisão firme sobre o caso. O ex-policial foi condenado a cumprir uma pena total de 8 anos e 5 meses de prisão, dividida entre os regimes semiaberto e fechado. A sentença foi emitida pelo juiz Fernando Cesar do Nascimento, da 1ª Vara Criminal de Praia Grande. Como o magistrado negou o direito de recorrer solto, o réu vai continuar atrás das grades preventivamente enquanto a defesa prepara os recursos necessários.

O que diz a condenação e as armas encontradas

A punição foi dividida pela Justiça em duas partes. Para os crimes de posse irregular de munição que é permitida e por resistência qualificada, a pena ficou em 2 anos e 6 meses em regime semiaberto. Já pelos delitos mais pesados, como disparar arma de fogo, portar armamento permitido de forma ilegal e ter peças de uso restrito ou com a numeração raspada, a condenação foi de 5 anos e 11 meses de reclusão em regime inicial fechado.

Durante as buscas na casa do ex-agente, os policiais encontraram um verdadeiro arsenal. Foram apreendidas uma pistola .380 com oito balas, além de três outras armas totalmente sem numeração: uma garrucha .38, um revólver Rossi .22 e um revólver Taurus .32, somando ainda 148 munições de calibre .380. Todo esse material foi confiscado pela Justiça. Em paralelo, um valor superior a R$ 500 mil em dinheiro vivo, achado tanto no carro quanto na residência, virou alvo de uma investigação separada por não ter ligação direta com os crimes julgados.

A defesa e os argumentos do julgamento

Durante o processo, os advogados que defendem Hércules tentaram convencer o juiz de que os tiros disparados dentro de residência foram acidentais. A defesa argumentou que o ex-policial estava passando por um surto psicótico naquele momento e pediu que a prisão fosse trocada por uma medida de tratamento psiquiátrico.

Porém, a Justiça não aceitou essa versão. O magistrado destacou que vizinhos e testemunhas ouviram vários tiros em sequência, descartando a ideia de acidente. O juiz também analisou um laudo oficial do Imesc, que apontou que o réu tinha capacidade de entender o que fazia, mas sofria de uma alteração parcial no autocontrole na hora dos fatos. Isso garantiu uma leve diminuição na pena, mas não livrou o ex-policial de ser condenado e punido pelos crimes cometidos.