Fórmula 1

Antonelli vence GP de Mônaco e amplia liderança em prova marcada por bandeira vermelha

Lewis Hamilton e Isack Hadjar garantem pódios, enquanto Gabriel Bortoleto enfrenta problemas e termina em 11º lugar

O jovem piloto da Mercedes se torna o mais jovem a vencer em Monte Carlo - Foto: Reuters

Gabriella Souza Publicado em 08/06/2026, às 09h47

Andrea Kimi Antonelli, da Mercedes, venceu o GP de Mônaco e ampliou sua vantagem na liderança de 2026. O jovem de 19 anos suportou duas interrupções por safety car, uma longa paralisação por bandeira vermelha e a pressão por Lewis Hamilton ao longo das 16 voltas finais do circuito de rua.

Atrás do líder do campeonato, o britânico Lewis Hamilton, da Ferrari cruzou a linha de chegada na segunda colocação, seguido pelo francês Isack Hadjar, que garantiu o seu primeiro pódio com a Red Bull Racing.

O brasileiro Gabriel Bortoleto enfrentou problemas mecânicos em sua Audi minutos antes da abertura da volta de apresentação, foi forçado a iniciar a disputa a partir do pit lane, mas realizou uma corrida de recuperação para terminar na 11ª posição após uma série de punições distribuídas após a bandeirada.

Pódio do GP de Mônaco - Foto: Sam Bloxham/LAT Images

 

Grand Chelem de Antonelli

Ao cruzar a linha de chegada na primeira colocação com uma margem de 6s2 sobre Hamilton, Antonelli assegurou o primeiro Grand Chelem de sua trajetória na categoria máxima do automobilismo, feito registrado quando um piloto conquista a pole position, lidera todas as voltas da prova e estabelece a volta mais rápida da corrida.

O piloto da Mercedes estabeleceu um novo recorde ao se tornar o competidor mais jovem a vencer o tradicional circuito do principado. Na história da Fórmula 1, ele é apenas o segundo italiano a triunfar nas ruas de Monte Carlo, quebrando um jejum nacional que se estendia desde a vitória de Jarno Trulli na edição de 2004 do evento. Com o quinto triunfo obtido em 2026, Antonelli isolou-se ainda mais na liderança do Mundial de Pilotos, somando 156 pontos, abrindo uma frente de 90 pontos sobre o novo vice-líder, Lewis Hamilton.

Problemas de Verstappen na largada

Max Verstappen, que compartilharia a primeira fila do grid com Antonelli ao largar em segundo, enfrentou uma falha mecânica em sua Red Bull. Sem conseguir acelerar o carro na largada, o holandês despencou para a última posição e, orientado pela equipe via rádio a apenas conduzir o veículo em segurança de volta aos boxes, recolheu o carro e teve o primeiro abandono do dia.

Verstappen no momento em que não conseguiu largar - Foto: Reprodução

 

Antonelli manteve a ponta na largada de forma limpa. Hamilton aproveitou o espaço deixado pelo carro estagnado da Red Bull para consolidar a segunda posição, defendendo-se das investidas de Charles Leclerc na curva 1. Nas 20 voltas iniciais, o líder abriu uma vantagem de 4s5, que se expandiu para a casa dos 10 segundos na altura da volta 29.

Hamilton foi o primeiro dos líderes a trocar os compostos médios pelos duros no 29º giro, mas acabou punido com o acréscimo de 5 segundos em seu tempo por exceder o limite de velocidade na pista de rolamento dos boxes (pit lane). O prejuízo foi minimizado pela lentidão na parada de Leclerc na volta 36, o que devolveu a vice-liderança ao inglês. Antonelli realizou seu pit stop na volta subsequente e retornou à pista na liderança absoluta, sem sofrer ameaças dos concorrentes diretos.

Asfalto solto em Mônaco

O andamento linear da prova foi rompido na volta 60. O canadense Lance Stroll passou sobre a sujeira de borracha acumulada fora do traçado, perdeu a aderência do pneu dianteiro esquerdo da sua Aston Martin e colidiu contra as defesas da curva Rascasse, o que se deu a entrada do safety car.

Hamilton aproveitou o momento para cumprir sua penalidade de 5 segundos, enquanto a Ferrari chamou Leclerc para instalar pneus macios em um procedimento lento de 5s3. O monegasco contestou a decisão estratégica via rádio, uma vez que seus pneus duros tinham apenas 24 giros de uso. 

Direção da FIA corrigindo o problema do asfalto - Imagem: Reprodução

 

A relargada ocorreu na volta 65, mas a bandeira verde durou apenas um giro. Na passagem seguinte, Charles Leclerc perdeu o controle da traseira de sua Ferrari e bateu na curva Antony Noghès, exatamente no mesmo setor do acidente anterior. As imagens de transmissão e a vistoria imediata dos fiscais da Federação Internacional do Automobilismo (FIA) detectaram que um pedaço da capa asfáltica havia se desprendido do solo naquele ponto da pista.

Assim, a direção de prova acionou a bandeira vermelha, paralisando a corrida. A interrupção estendeu-se por cerca de 45 minutos para que operários civis e máquinas varredeiras fizessem os reparos emergenciais no asfalto e limpassem os detritos espalhados pela pista.

Final da corrida

A corrida foi retomada na volta 70 sob o formato de relargada em movimento, com o desconto de duas voltas do total regulamentar (reduzindo a distância final para 76 voltas) em razão dos procedimentos de realinhamento. Hamilton alinhou a apenas 1s3 de Antonelli, trazendo George Russell logo atrás em sua esteira de vácuo. Antonelli manteve as linhas de trajetória ideais, encontrou ritmo nos setores finais do circuito e cruzou a linha de chegada com uma boa distância de Hamilton.

Momento da relargada - Dom Gibbons / Getty Images

 

Mais atrás, a relargada desenhou um cenário favorável para a recuperação de Gabriel Bortoleto. Tendo iniciado a corrida da garagem após uma pane elétrica de última hora detectada na linha de formação de pré-largada, o brasileiro rodou em último durante a primeira metade da corrida com uma estratégia agressiva de parada logo na segunda volta. Na volta 70, Bortoleto soube se posicionar na confusão gerada por um toque de rodas entre Nico Hulkenberg e Carlos Sainz na entrada do túnel, que deixou a Williams do espanhol atravessada e forçou o seu abandono.

O brasileiro superou a Alpine de Franco Colapinto na pista e subiu para a 13ª colocação. Nas voltas finais, George Russell, que ocupava as primeiras posições, foi obrigado a cumprir uma penalidade de drive through por não respeitar uma sinalização sob bandeira amarela anterior, despencando na classificação.

Punições pós-corrida 

O encerramento da prova foi acompanhado por uma revisão de dados que distribuíram penalizações por infrações cometidas no pit lane e em relargadas. Pierre Gasly, da Alpine, cruzou a linha de chegada em terceiro lugar e chegou a celebrar o pódio no cercado de entrevistas, mas foi rebaixado para o quarto posto após receber 5 segundos de acréscimo por excesso de velocidade nos boxes, o que promoveu Isack Hadjar ao pódio . A Alpine contestou a decisão e protocolou um pedido formal de revisão junto à FIA.

Sergio Pérez, da Cadillac, queimou a largada original e repetiu a queima de largada no procedimento pós-bandeira vermelha. Punido com a soma de 10 segundos ao seu tempo total de prova, o mexicano perdeu o décimo lugar. O beneficiado direto foi Fernando Alonso, que herdou a décima posição e anotou o primeiro ponto da Aston Martin na tabela do campeonato de 2026.

As sanções aplicadas a Pérez e a Nico Hulkenberg (também penalizado em 10 segundos pelo incidente com Sainz) empurraram Gabriel Bortoleto da 13ª para a 11ª colocação oficial do Grande Prêmio, deixando o brasileiro a apenas uma posição de conquistar pontos com o carro da Audi. Ao todo, a seletiva pista de Monte Carlo registrou sete abandonos ao longo do dia.

A Fórmula 1 terá uma semana de intervalo e retoma suas atividades de pista no próximo domingo, dia 14 de julho, com a realização do inédito Grande Prêmio de Barcelona-Catalunha. A corrida espanhola representará a sétima etapa das 22 previstas no calendário oficial da temporada de 2026.

Ferrari Fórmula 1 Max verstappen Lewis hamilton Andrea kimi antonelli Mercedes Grand chelem Gp de mônaco

Leia também