Três mulheres idosas em estado crítico foram encontradas em casa de repouso; uma delas não sobreviveu ao resgate
Gabriella Souza Publicado em 30/01/2026, às 08h41
Uma denúncia feita ao Conselho Municipal do Idoso revelou um cenário de horror em uma casa de repouso no Boqueirão. O local, que deveria servir como abrigo, foi descrito pelas autoridades como um verdadeiro “depósito de pessoas”, sem qualquer estrutura para cuidar de quem tem saúde frágil. Durante a vistoria, a polícia encontrou um ambiente sujo, com cheiro forte de urina, paredes mofadas e muito abafado, colocando em risco a vida dos cerca de 20 moradores que viviam ali.
Cenário de abandono e morte
A situação mais crítica envolvia três mulheres, de 79, 80 e 82 anos. Elas estavam tão debilitadas e magras que pareciam nem estar mais vivas quando os policiais chegaram. Infelizmente, a idosa de 82 anos, que foi socorrida em estado gravíssimo, não resistiu e acabou falecendo pouco tempo depois de ser retirada do local. O prontuário médico dela já avisava que ela não poderia ficar naquela unidade por conta da complexidade do seu quadro de saúde.
As outras duas vítimas também apresentavam sinais nítidos de falta de cuidado. Para se ter uma ideia da gravidade, um exame antigo, de 2022, já mostrava que a paciente de 79 anos pesava somente 27 quilos. Todas elas precisavam ser alimentadas por sondas, mas não recebiam a assistência necessária para sobreviver com dignidade.
O flagrante e a defesa
O responsável pelo espaço, José Alves Sampaio Filho, de 62 anos, foi preso em flagrante no local. Ao ser questionado, ele alegou que não sabia que as idosas estavam em um estado tão ruim e disse que tentou falar com os familiares, mas que ninguém foi buscá-las. No boletim de ocorrência, a Polícia Civil destacou que o dono do asilo foi omisso, permitindo que as mulheres ficassem ali largadas, em estado vegetativo, sem buscar o socorro médico urgente que o caso exigia.
A operação aconteceu na última quinta-feira (28), na Rua Doutor Roberto Shoji. O caso segue sob investigação para apurar a responsabilidade sobre os maus-tratos e as condições precárias oferecidas aos demais idosos que seguiam no local.