Ação cumpre mandados de prisão e busca em cinco cidades, bloqueando bens de grupo que enviava cocaína para o continente europeu
Redação Publicado em 18/09/2026, às 09h41
Em uma grande ofensiva contra o crime organizado, a Polícia Federal deflagrou na manhã da última quinta-feira (17) a Operação Eredità, visando desmantelar uma poderosa rede transnacional dedicada ao envio de entorpecentes para o exterior e à complexa lavagem de capitais. O foco principal da ação é romper de forma definitiva a forte aliança estabelecida entre criminosos brasileiros e italianos, que estruturaram um esquema robusto para exportar toneladas de cocaína, saindo da América do Sul diretamente para o continente europeu. Entre os alvos das diligências policiais, estão endereços localizados na cidade de Santos, no litoral paulista.
Mandados e Bloqueios Financeiros
As equipes de agentes federais foram às ruas para cumprir um total de doze ordens judiciais expedidas pela Justiça, sendo sete mandados de prisão preventiva e cinco mandados de busca e apreensão. Além das buscas em Santos, a mobilização policial alcançou alvos em outras cidades paulistas, como São Paulo, São Caetano do Sul e Americana, estendendo-se também até o município de Palhoça, no estado de Santa Catarina.
Para asfixiar a estrutura da quadrilha e interromper o ciclo de retroalimentação do tráfico, a Justiça Federal determinou o cumprimento de medidas cautelares rigorosas de cunho patrimonial. Houve o sequestro imediato de diversos imóveis, além do bloqueio total de contas bancárias e de diferentes aplicações financeiras que estavam vinculadas tanto a pessoas físicas quanto a empresas de fachada (pessoas jurídicas) investigadas ao longo do inquérito.
Histórico e Mais de Quatro Toneladas Apreendidas
A Operação Eredità representa o aprofundamento investigativo de ações anteriores, começando com as operações Retis e Spiderweb, que foram as responsáveis por mapear detalhadamente toda a logística utilizada no envio oculto das drogas. O trabalho atual também é um desdobramento das operações Samba e Mafiusi, deflagradas simultaneamente no Brasil e na Itália em dezembro de 2024.
O cruzamento de dados identificou a participação ativa dessa rede em pelo menos 11 grandes apreensões de entorpecentes registradas entre 2019 e 2020. Somando essas ocorrências, a PF e as autoridades internacionais conseguiram interceptar mais de 4,6 toneladas de cocaína que tinham como destino diversos países europeus. Paralelamente a esse esquema logístico, o grupo operava um braço financeiro sofisticado para dissimular os valores milionários de origem ilícita.
Cooperação Internacional e Punições
Os suspeitos capturados e identificados nesta nova fase deverão responder criminalmente por delitos gravíssimos. A lista de acusações inclui tráfico internacional de drogas, associação para o tráfico, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
O grande destaque desta ofensiva é a cooperação internacional, realizada com o apoio da Equipe Conjunta de Investigação (ECI) firmada entre o Brasil e a Itália. Esse grupo integrado é composto pela Polícia Federal, pelo Ministério Público Federal (MPF) e por autoridades estrangeiras, como o Ministério Público de Turim e o Departamento Anticrime de Turim (ROS Carabinieri).