Com quatro vítimas identificadas em Guarujá e Osasco, a polícia busca encorajar outras mulheres a denunciarem os abusos
Redação Publicado em 11/02/2026, às 08h14
A Polícia Civil do Guarujá colocou um ponto final nas atividades criminosas de um homem de 46 anos, acusado de usar a fé e a fragilidade emocional de mulheres para cometer abusos sexuais graves. Edson da Cruz, que estava foragido da Justiça, foi localizado e preso na última segunda-feira (9), no bairro Vila Santa Rosa. Ele é apontado como o autor de uma série de estupros cometidos sob o disfarce de tratamento espiritual.
A prisão foi resultado de uma operação conjunta entre a Delegacia Sede e a Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Santos, que cumpriram o mandado de prisão temporária expedido pela Justiça. O suspeito foi encontrado na Rua Manoel Penelas e não teve chance de escapar. A investigação revelou um padrão de comportamento predatório e cruel.
O golpe da "limpeza espiritual"
Segundo os investigadores, Edson se apresentava como um líder religioso de matriz africana para ganhar a confiança das vítimas. Seu alvo preferencial eram mulheres que passavam por momentos de vulnerabilidade, enfrentando problemas de saúde física ou sofrimento psicológico. Prometendo a cura para essas dores, ele as atraía para falsos rituais de "limpeza espiritual".
Durante os atendimentos, o suposto líder oferecia bebidas preparadas com ervas, alegando que faziam parte do processo de purificação. No entanto, a mistura possuía efeitos alucinógenos e deixava as mulheres entorpecidas, diminuindo drasticamente a capacidade de defesa e discernimento. Com as vítimas dopadas, ele afirmava que a etapa final do ritual exigia o ato sexual para que a "cura" fosse completa. Era nesse momento que os estupros aconteciam.
Vítimas em duas cidades
Até o momento, a polícia já identificou quatro vítimas desse esquema macabro: duas moradoras de Guarujá e duas de Osasco, na Grande São Paulo, o que indica que o criminoso atuava em diferentes regiões. Além dos crimes sexuais recentes, a ficha de Edson já continha registros anteriores por violência doméstica e ameaças contra uma ex-companheira, reforçando seu perfil agressivo contra mulheres.
Agora detido, ele foi encaminhado à cadeia pública, onde permanece à disposição do Poder Judiciário. A polícia espera que, com a divulgação da prisão, outras possíveis vítimas que foram coagidas a não denunciar se sintam seguras para procurar a delegacia e relatar os abusos.