Segurança pública

Operação contra lavagem de dinheiro do PCC mira empresas e investigados em Santos

Nova fase da investigação conduzida pelo Gaeco e Receita Federal apura uso de fintechs, postos de combustíveis e fundos de investimento em esquema bilionário de ocultação de recursos do crime organizado

Operação Fluxo Oculto cumpriu mandados em cinco estados e investiga esquema bilionário de lavagem de dinheiro ligado ao PCC por meio de fintechs, combustíveis e fundos de investimento - Imagem: Divulgação/Receita Federal

Redação Publicado em 28/05/2026, às 12h42

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Uma nova ofensiva das autoridades contra esquemas financeiros ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC) teve desdobramentos em Santos, no litoral de São Paulo, durante a manhã desta quinta-feira (28). A Operação Fluxo Oculto, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de São Paulo em conjunto com a Receita Federal, cumpriu mandados de busca e apreensão em diversos estados brasileiros, incluindo dois alvos localizados no município santista.

A investigação é considerada uma continuidade da Operação Carbono Oculto, deflagrada em 2025, que revelou estruturas utilizadas pela organização criminosa para movimentação financeira e lavagem de dinheiro por meio do setor de combustíveis, instituições financeiras e fundos de investimento.

Segundo os investigadores, mesmo após a primeira fase da operação, o grupo criminoso teria mantido mecanismos sofisticados de ocultação patrimonial e movimentação de recursos obtidos ilegalmente.

Nesta nova etapa, o foco principal está em fintechs suspeitas de funcionar como estruturas financeiras paralelas utilizadas para circulação de dinheiro ligado ao crime organizado.

De acordo com o Ministério Público, seis empresas do setor financeiro são investigadas por supostamente operarem compensações internas entre distribuidoras de combustíveis, postos, empresas de fachada e fundos de investimentos associados ao esquema.

As apurações indicam ainda que essas plataformas eram utilizadas para pagamentos de operadores da organização criminosa, além da realização de investimentos e movimentações financeiras destinadas à ocultação dos verdadeiros beneficiários dos recursos.

A Receita Federal informou que as fintechs investigadas movimentaram mais de R$ 26 bilhões entre os anos de 2022 e 2025.

Outro eixo da investigação envolve a adulteração de combustíveis por meio do uso irregular de nafta petroquímica, substância derivada do petróleo utilizada industrialmente como solvente.

Segundo o Ministério Público, o esquema utilizava empresas de fachada registradas em diferentes estados para adquirir solventes que, posteriormente, seriam desviados para abastecimento irregular de postos de combustíveis, principalmente na Grande São Paulo.

As investigações apontam que o grupo utilizava pessoas em situação de vulnerabilidade social, familiares de investigados e até detentos para registrar empresas fictícias destinadas à movimentação financeira do esquema.

De acordo com os órgãos responsáveis pela operação, os recursos obtidos eram direcionados a fundos de investimento utilizados para dificultar a identificação dos verdadeiros controladores do dinheiro.

Ao todo, quatro fundos de investimento passaram a ser alvo da investigação. Juntos, eles possuem patrimônio estimado em aproximadamente R$ 205 milhões. Segundo o Ministério Público, houve crescimento superior a 200% no patrimônio dessas estruturas financeiras em pouco mais de um ano.

A Operação Fluxo Oculto mobilizou equipes em cinco estados brasileiros: São Paulo, Paraná, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Rio de Janeiro.

Foram expedidos 59 mandados de busca e apreensão, incluindo ordens direcionadas a pessoas físicas e jurídicas. Entre os 30 mandados relacionados a empresas, dois foram cumpridos em Santos.

Além do Gaeco e da Receita Federal, participam da força-tarefa a Secretaria da Fazenda e Planejamento do Estado de São Paulo, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a Procuradoria-Geral do Estado e as polícias Civil e Militar.

Até a última atualização da operação, os nomes dos investigados ligados aos alvos em Santos não haviam sido divulgados oficialmente.

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