Após avaliação, pescado apreendido foi doado a instituições beneficentes, transformando prejuízo ambiental em auxílio social
Redação Publicado em 18/02/2026, às 09h12
Uma operação de fiscalização da Polícia Militar Ambiental (PMAmb) resultou em uma das maiores multas aplicadas recentemente no litoral de São Paulo. Um grupo de pescadores foi autuado em R$ 703,2 mil após ser flagrado praticando pesca predatória na região do Canto do Forte, em Praia Grande.
A abordagem, realizada no último domingo (15) pela 5ª Companhia Marítima, revelou um cenário de desrespeito flagrante às leis ambientais: a embarcação utilizava uma rede de emalhe com impressionantes 18 quilômetros de extensão.
Para se ter uma ideia da dimensão do equipamento, a legislação vigente permite o uso de redes com no máximo 3 km de comprimento. O material apreendido era seis vezes maior do que o limite legal, funcionando na prática como uma "muralha" subaquática capaz de capturar indiscriminadamente a fauna marinha, sem dar chance de escape para cardumes ou espécies que não são alvo da pesca comercial. Além do tamanho exorbitante, a rede não possuía as plaquetas de identificação obrigatórias, o que agrava a infração e dificulta a fiscalização.
Abordagem e a apreensão
Os policiais patrulhavam a orla quando avistaram uma embarcação de madeira, de aproximadamente 11 metros de comprimento, operando de maneira suspeita. Ao realizarem a abordagem e a vistoria no convés e nos porões, os agentes encontraram uma quantidade massiva de pescado. Foram contabilizados 2.875 kg de peixes diversos e mais 5 kg de camarão-branco.
Todo o material, incluindo a embarcação, o motor e a rede quilométrica, foi apreendido. O grupo recebeu seis autos de infração ambiental, totalizando a multa milionária. A Polícia Ambiental destacou que a prática configura crime ambiental devido ao uso de petrechos não permitidos (artigo 34 da Lei de Crimes Ambientais), e os envolvidos responderão em liberdade, mas sujeitos a processos criminais e administrativos.
Destino social
Como é praxe nessas operações, o pescado apreendido não foi desperdiçado. Após passar por uma avaliação sanitária que atestou a qualidade para consumo humano, as quase 3 toneladas de peixe foram doadas imediatamente a instituições beneficentes e entidades de assistência social cadastradas junto à corporação. A ação transforma o prejuízo ambiental em auxílio alimentar para comunidades carentes da região, enquanto a embarcação permanece retida à disposição da Justiça.