Vídeos mostram um MC incentivando atiradores em um baile clandestino, expondo a impunidade e o poder do crime organizado

Redação Publicado em 18/02/2026, às 09h58
A tradicional percussão das escolas de samba e o ritmo das marchinhas deram lugar a uma trilha sonora muito mais perigosa no alto do Morro São Bento, em Santos. Durante o feriado de Carnaval, vídeos que circulam nas redes sociais revelaram um "baile" na esquina das ruas Santa Valéria e São Miguel onde a batida do funk se misturava a sequências de disparos de arma de fogo para o alto. A festa, que avançou pela madrugada e manhã adentro, expôs não apenas o poder de fogo dos criminosos, mas uma conexão curiosa e alarmante entre facções interestaduais.
Nas imagens, um MC comanda a multidão com o microfone em punho, incentivando os atiradores. "Se não tiver uma rajada, não é o baile da Colômbia", grita o cantor, enquanto homens armados disparam sem qualquer preocupação com a segurança dos frequentadores ou com uma eventual chegada da polícia. O que chama a atenção das autoridades de segurança pública, no entanto, é o conteúdo das letras improvisadas.
Conexão Santos-Rio?
Historicamente, a Baixada Santista e o sistema prisional paulista operam sob a hegemonia do Primeiro Comando da Capital (PCC). Contudo, durante o baile, o cantor exaltou abertamente a figura de "Peixão", alcunha de Álvaro Malaquias Santa Rosa, traficante que chefia o Terceiro Comando Puro (TCP) no Rio de Janeiro e controla o chamado "Complexo de Israel", na Zona Norte carioca.
"Só quem fecha com o Peixão, de Lucas. Só quem é cria, só quem é criminoso sabe essa", dizia o MC. A menção sugere uma possível aliança estratégica ou, no mínimo, uma simpatia ideológica entre o crime organizado paulista e o TCP, unidos possivelmente pelo inimigo comum: o Comando Vermelho (CV), que trava guerras sangrentas contra ambos.
Impunidade com vista para o mar
A cena de "estado paralelo" ocorreu em um cenário de contrastes. Enquanto os jovens dançavam sob a mira de pistolas e o som de tiros, o sol nascia iluminando o Porto de Santos, o maior da América Latina, e o Monte Serrat, santuário da padroeira da cidade.
O evento clandestino preencheu o vácuo deixado pelo calendário oficial. Como os desfiles das escolas de samba de Santos foram antecipados em uma semana, os dias oficiais de folia ficaram restritos a bandas e blocos monitorados no asfalto. No alto do morro, porém, longe dos olhos da fiscalização e regido por leis próprias, o Carnaval seguiu um ritmo próprio, onde a celebração da vida se misturou perigosamente com a exaltação da violência.
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