Escultura na Praia do Itararé pegou fogo no final de setembro. Lenda fala sobre mulher que morreu no mar à espera de um marinheiro

Redação Publicado em 28/10/2026, às 09h48
Um dos cartões-postais mais místicos do litoral paulista perdeu recentemente parte de sua identidade visual, mas a lenda que o envolve segue mais viva do que nunca no imaginário popular. Localizada na orla da Praia do Itararé, em São Vicente, a famosa Pedra da Feiticeira abriga uma história de amor, tragédia e abandono que atravessa gerações. No final do mês de setembro, o monumento voltou a chamar a atenção de moradores e turistas, não pelo seu folclore, mas por um incidente real: a estátua de fibra de vidro que coroava a formação rochosa foi consumida por um incêndio.
O caso mobilizou equipes da Guarda Civil Municipal (GCM), que estiveram no local e registraram um boletim de ocorrência para investigar o fogo. A destruição da escultura despertou a memória da comunidade, já que a figura feminina representava muito mais do que um simples ornamento. Ela era a materialização de um conto popular que dá nome ao ponto turístico e desperta a curiosidade de quem caminha pelo calçadão, eternizando o drama de uma mulher que fez daquele pedaço de mar a sua eterna morada.
A origem da lenda no Itararé
O folclore vicentino relata que, no passado, uma figura misteriosa costumava pernoitar na chamada "Cama da Velha", um pequeno espaço situado na própria rocha. A mulher, de aparência castigada pelo tempo e pelas intempéries, vestia sempre um longo e velho vestido, ganhando feições que lembravam a imagem clássica de uma bruxa. Longe de ser uma ameaça, ela era uma pessoa pacífica e solitária. Seu ritual noturno consistia em acender pequenas fogueiras perto da água, passando horas acenando para as embarcações que cruzavam o horizonte, sempre na esperança de ser notada por um único tripulante.
A origem de tamanha devoção era uma promessa quebrada. Na juventude, a moça havia se apaixonado perdidamente por um marinheiro que conheceu exatamente naquelas pedras. Após viverem um romance, o homem partiu para o mar, jurando que um dia voltaria para buscá-la. A espera tornou-se ainda mais dolorosa com a descoberta de uma gravidez. O amado, no entanto, nunca retornou. A decepção desencadeou uma profunda crise emocional na jovem, que acabou perdendo a gestação. Sem razões para viver longe dali, ela passou a habitar o local dos antigos encontros, aguardando um regresso impossível.
O desfecho trágico nas águas
O fim dessa espera foi marcado por uma tragédia. Em um dia de maré alta, a mulher avistou um barco distante e, em seu delírio, acreditou que alguém acenava para ela. Certa de que era o seu grande amor, caminhou em direção ao mar revolto, chocando-se contra as pedras e sendo tragada pela forte correnteza, onde morreu afogada.
A crença popular garante que sua presença nunca deixou o local. Até hoje, moradores mais antigos relatam que, em noites claras de luar, é possível ouvir sussurros e vozes ecoando pelas pedras do Itararé, como se a feiticeira ainda aguardasse, incansavelmente, pelo marinheiro que levou o seu coração.
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