A discussão sobre o STF ganha força e envolve a população em debates acalorados sobre suas decisões e ministros

por Reinaldo Polito
Publicado em 11/09/2026, às 08h49
O país inteiro fala do STF. As conversas de boteco, antes restritas a futebol e cerveja, mudaram: a turma discute com conhecimento de causa o que acontece na Corte, sabe o nome dos ministros e a tendência ideológica de cada um.
A reunião marcada para a próxima terça-feira deve bater recorde de audiência. Todo mundo quer saber como os ministros vão se engalfinhar durante os debates. Se o que muitos analistas preveem se confirmar, vai ser uma batalha campal, com cada grupo municiado de argumentos para defender sua causa e destruir as posições contrárias.
Briga de gente grande
Os debates mais esperados referem-se à postura adotada por Alexandre de Moraes, André Mendonça, Gilmar Mendes e Flávio Dino. Os dois primeiros se digladiam há semanas. Dino entrou no ringue mais recentemente com a faca nos dentes. Vamos ver como se comportarão Fachin e Cármen Lúcia, essa considerada o fiel da balança. De um jeito ou de outro, é só preparar a pipoca.
Diante desse quadro, a pergunta que surge é: afinal, o STF deve mudar? Já? Quem acompanha os últimos acontecimentos não se conforma com o fato de que uma casa que sempre primou pelo recato se transforme, de uma hora para outra, nesse picadeiro. E a resposta é sim.
Todos de passagem
Mas como? Primeiro, é preciso entender que os ministros não são o STF: ocupam momentaneamente suas funções na Corte. Todos vão passar, mas a instituição continuará, com novos togados que logo farão esquecer quem esteve naquelas cadeiras.
O que mais impressiona a população é o viés ideológico, claro ou disfarçado, de suas excelências, talvez porque todos foram indicados por presidentes de cores partidárias diversas. Por isso, a cada decisão de um juiz, o país enxerga motivação política. Pode acontecer, mas não necessariamente.
As funções do STF
Para entender melhor o que se passa no mais importante tribunal do país, é preciso conhecer antes o seu papel constitucional. A sua principal função é proteger a Constituição e julgar os casos em que exista foro privilegiado. Cabe aos ministros interpretar a Carta Magna quando surgem divergências sobre sua correta aplicação.
Qualquer calouro de direito sabe que essas decisões devem se ater a causas que interessem a todo o país, não a conveniências pessoais ou partidárias. Os julgamentos do STF são tão relevantes que viram parâmetro para as instâncias inferiores julgarem causas semelhantes. Ou seja, o voto de um único juiz influencia a vida de todos os brasileiros.
Extrapolam limites
Por isso, sua independência institucional deve ser preservada, assim como a dos poderes executivo e legislativo. Cabe ao legislativo legislar, ao executivo executar e ao judiciário julgar, funcionando como peso e contrapeso uns dos outros. Óbvio, mas às vezes um poder esquece seus limites, extrapola suas competências e interfere nas atribuições alheias.
E quando a Constituição não cumpre seu papel social, pode ser questionada? Sim. Pode ser combatida? Sim. Pode ser desconsiderada? Não. O próprio Ulysses Guimarães, muito respeitado por ter capitaneado a reforma constitucional, disse no ato da promulgação da Carta:
Ulysses foi claro
"A Constituição certamente não é perfeita. Ela própria o confessa ao admitir a reforma. Quanto a ela, discordar, sim. Divergir, sim. Descumprir, jamais. Afrontá-la, nunca. Traidor da Constituição é traidor da Pátria. Conhecemos o caminho maldito: rasgar a Constituição, trancar as portas do Parlamento, garrotear a liberdade, mandar os patriotas para a cadeia, o exílio e o cemitério."
Por isso, se não estivermos satisfeitos com a posição dos ministros, não é o STF que devemos atacar, nem a instituição que deve ser afrontada. A sociedade continuará a respirar os ares da liberdade se os poderes constitucionais forem respeitados. Mas, e se não estivermos satisfeitos com eles?
O Senado também muda
Nesse caso, o órgão fiscalizador é o Parlamento, que atualmente não tem cumprido bem essa tarefa. Mas, assim como os ministros, os senadores também serão substituídos um dia. Lentamente, mas tem ocorrido.
E o Judiciário? É um problema mais difícil, mas não de saída impossível. Uma solução aventada por estudiosos é fixar um mandato mais curto para os ministros da Corte, já que hoje só se sai por morte ou aposentadoria.
Impeachment como último recurso
Os mais afoitos já pedem impeachment. É uma possibilidade, mas soluções extremas não deveriam ser a regra: se um ministro descumprir suas obrigações, precisa ser afastado, mas isso deve ser exceção das exceções. Do contrário, os ministros ficam reféns da vontade alheia, não da lei.
Com toda a pressão sofrida pelos ministros do STF nos últimos tempos, e a crescente insatisfação da sociedade com suas decisões, é possível que se pense numa reforma que altere o sistema de escolha e o prazo de permanência de cada um deles. Tudo dentro das regras, sem rupturas. Siga pelo Instagram: @polito
Leia também

Megaprojeto de R$ 500 milhões altera o trânsito na Rodovia Padre Manoel da Nóbrega a partir de novembro

Casal de idosos escapa ileso após colisão que derrubou poste de energia no bairro Ocian em Praia Grande

Mais que esporte: projeto de capoeira inclusiva celebra três décadas de impacto social em escolas

Exposição em Santos transforma reflexões de universitários sobre consumo e sociedade em ilustrações

Professores de São Vicente ganham assistente virtual no WhatsApp para estruturar aulas

Tarrafa Literária chega à 18ª edição em Santos com programação 100% gratuita e grandes debates

Acidente na Rodovia Cônego Domênico Rangoni trava o trânsito no sentido Guarujá nesta quarta-feira (28)

Mistério e chamas: fogo em escultura na orla de São Vicente revive a famosa lenda da feiticeira

Casal de idosos escapa ileso após colisão que derrubou poste de energia no bairro Ocian em Praia Grande

Professores de São Vicente ganham assistente virtual no WhatsApp para estruturar aulas