Entenda como divergências ideológicas podem levar a desentendimentos e a necessidade de aprender com os erros dos outros

por Reinaldo Polito
Publicado em 30/01/2026, às 11h22
Tem discutido política nos últimos tempos? Arrumou confusão com pessoas de seu convívio íntimo? Gente com quem dava gosto conversar, mas de quem se afastou por divergências ideológicas? Se você é desses que gostam de uma refrega, prepare-se, porque o que não vai faltar nos próximos meses é motivo para discussão.
Será que vale a pena? Pense bem: quantos políticos você defendeu com unhas e dentes e hoje não diria uma palavra em favor deles? É decepcionante perceber que alguns enganaram com seus artifícios retóricos e, no final, ao mostrar a verdadeira face, tinham intenções bem diferentes daquelas expressas em seus discursos. Mudam de lado sem a menor cerimônia, sem qualquer preocupação com as defesas que fingiam fazer.
Desavenças familiares e amizades desfeitas
Muitos de seus seguidores desfizeram amizades, criaram desafetos e se afastaram de grupos por causa desses confrontos políticos. Hoje, talvez até se envergonhem de terem agido assim. Em certos casos, infelizmente, as desavenças foram tão acaloradas que não há possibilidade de reconciliação.
Por isso, quem não aprendeu pela própria experiência deve, por prudência, aprender com os erros alheios.
Reflita comigo: você acha que, sendo petista, vai convencer um bolsonarista a mudar de opinião? Ou, se for bolsonarista, fará um petista pensar de maneira diferente? Não vai. Então, por que perder tempo com essas conversas envenenadas se, na contabilidade final, não haverá vencedores? Provavelmente, só perdedores.
As discussões ficarão mais acaloradas
Fique atento, porque o clima começa a esquentar ainda mais. Os candidatos já foram escolhidos pelos partidos para as eleições de 2026. Salvo um ou outro caso, as convenções deverão referendar os nomes que aparecem nas pesquisas desde o ano passado. Ao que tudo indica, Lula e Flávio Bolsonaro chegarão ao segundo turno.
As pessoas ficam cegas na defesa de seus candidatos. Mesmo que sejam apanhados nas mais abomináveis falcatruas ou acusados por evidências claras de má conduta, seus admiradores buscarão a todo custo uma explicação para seus atos. Falarão deles como advogados de defesa, com o objetivo de encontrar apenas qualidades e justificativas que os inocentem ou atenuem sua culpa.
Audição seletiva
Sempre foi assim. Prevalece nessas situações a chamada audição seletiva. O interlocutor, em geral, aceita as informações que favorecem suas causas e rejeita aquelas que considera contrárias aos seus desejos. Esse fenômeno foi comprovado em um estudo interessante realizado com 152 alunos da Universidade Estadual de Ohio.
Na pesquisa intitulada Mecanismos de retenção da imagem sob forma de percepção, memória e distorção seletiva, Hans Sebald comprovou a existência da audição seletiva. A observação ocorreu durante o debate de 1960 entre os candidatos à Presidência dos Estados Unidos, John Kennedy e Richard Nixon. Os pesquisadores queriam descobrir o que os alunos pensavam dos candidatos antes e depois dos debates.
Os argumentos não alteraram as opiniões
Os participantes confirmaram a existência de percepção e memória seletivas. Deixaram claro também que houve distorção seletiva: os alunos assimilaram apenas o que lhes interessava, a partir de suas opiniões e condutas anteriores. Os argumentos dos candidatos não mudaram a maneira de pensar de cada um. A conclusão vale perfeitamente para os dias atuais.
Até os cientistas são envolvidos emocionalmente
Outro estudo que ajuda a explicar esse fenômeno foi apresentado no livro Cérebro e crença, de Michael Shermer. Diz o autor: “Uma vez formadas as crenças, o cérebro começa a procurar e encontra evidências que as confirmem, o que aumenta a confiança emocional e acelera o processo de reforço dessas crenças”.
Shermer aprofunda suas pesquisas ao afirmar que até os cientistas, que deveriam sustentar suas teses apenas em métodos científicos, estão sujeitos às armadilhas da emoção e aos desvios cognitivos quando moldam e reforçam suas crenças.
Cada um continua com sua opinião
Essa análise ajuda a explicar por que pessoas tão inteligentes e bem preparadas não conseguem enxergar os erros evidentes no político ou no partido que defendem. Por isso, é preciso estar vacinado contra essas convicções, pois, depois de tomada por uma crença, a tendência é que a pessoa continue com ela, tentando defendê-la por todos os meios de que dispuser.
Se quiser continuar nessa luta quixotesca, vá em frente, mas saiba que serão enormes as chances de sair chamuscado desses conflitos. Siga pelo Instagram: @polito
Leia também

DJ Cuca comanda set e mantém pista cheia durante a Let’s Groove no Beach Clube

Você briga com familiares e amigos por causa de política?

Mudança na Secretaria de Segurança de Santos recebe mais um reforço

Dono de asilo em Praia Grande é preso após morte de idosa e flagrante de abandono

Briosa vence, mantém 100% e lídera série A3

Você briga com familiares e amigos por causa de política?

Tarcísio de Freitas detalha cronograma do Túnel Santos-Guarujá e projeta investimentos em infraestrutura e segurança na Baixada Santista

Assaltante que ameaçou equipe médica com faca é reconhecido e preso em Itanhaém

Ultrapassagem proibida termina em tragédia e morte de jovem na Rodovia Padre Manoel da Nóbrega

Confusão em vaga pública: homem é levado para a delegacia após exigir dinheiro e atacar carro em Guarujá