Apesar de não levar o Oscar, 'O Agente Secreto' conquista mais de 70 prêmios internacionais e quebra tabus na Academia

Redação Publicado em 16/03/2026, às 15h42
O cinema brasileiro concluiu, neste domingo (15), uma das trajetórias mais vitoriosas e comentadas de sua história recente em Hollywood. Embora as estatuetas do Oscar não tenham vindo para o Brasil, o longa 'O Agente Secreto', dirigido pelo recifense Kleber Mendonça Filho, encerra o ciclo de premiações de 2026 com um saldo impressionante: mais de 70 prêmios internacionais e indicações que quebraram tabus de quase um século na Academia de Artes e Ciências Cinematográficas.
O grande destaque da noite foi a presença de Wagner Moura. O ator baiano fez história ao ser o primeiro brasileiro indicado à categoria de Melhor Ator em 98 anos de premiação. Embora o prêmio tenha ficado com Michael B. Jordan (por 'Pecadores'), a crítica especializada de veículos como Variety e The Hollywood Reporter defendeu abertamente que a atuação de Moura foi a mais impactante do ano. O reconhecimento não foi apenas americano; em Cannes, ele já havia se tornado o primeiro brasileiro a vencer o prêmio de Melhor Ator, além de ter faturado o Globo de Ouro de Melhor Ator em Drama no início do ano.
Recordes e Ineditismo na Academia
'O Agente Secreto' conseguiu igualar o recorde de 'Cidade de Deus' ao receber quatro indicações ao Oscar (Melhor Filme, Filme Internacional, Direção de Elenco e Ator). Pela primeira vez, o Brasil emplacou um longa na categoria principal de Melhor Filme pelo segundo ano consecutivo, após o sucesso de 'Ainda Estou Aqui' em 2025, o que demonstra que a produção nacional vive um momento de prestígio global sem precedentes.
Outro marco importante foi a indicação de Gabriel Domingues em Melhor Direção de Elenco. O Brasil conseguiu ser indicado logo na estreia da categoria, sendo o único filme de língua não inglesa na disputa. O trabalho de seleção dos mais de 60 atores que deram vida à trama de Kleber Mendonça Filho competiu lado a lado com gigantes de Hollywood e diretores renomados como Chloé Zhao e Paul Thomas Anderson.
O Legado de Kleber Mendonça Filho
Além das conquistas em solo americano, a jornada de 'O Agente Secreto' começou com o pé direito na Europa, onde Kleber Mendonça Filho levou o prêmio de Melhor Direção no Festival de Cannes. De lá para cá, o filme acumulou vitórias em festivais de prestígio como Zurique, Chicago, Nova York e Londres, além de dominar as premiações críticas no Brasil, como o APCA e o Abraccine.
Mesmo sem o Oscar de Melhor Fotografia para o paulista Adolpho Veloso (indicado pela produção americana 'Sonhos de Trem'), a noite foi histórica para a representatividade: a categoria foi vencida por Autumn Durald Arkapaw, a primeira mulher a ganhar a estatueta na história da fotografia. No fim das contas, 'O Agente Secreto' sai de cena não apenas como um filme premiado, mas como o símbolo de uma nova era de "exportação" do talento brasileiro para o centro da indústria cinematográfica mundial.
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