A saída de Belmonte ocorre em um momento delicado, com oposição coletando assinaturas para impeachment do presidente Julio Casares.

Jorge Simonsen Publicado em 28/11/2025, às 15h36
Carlos Belmonte não é mais diretor de futebol do São Paulo. O dirigente entregou o cargo na manhã desta sexta-feira (28), um dia depois da goleada de 6 a 0 sofrida para o Fluminense, pelo Campeonato Brasileiro. A decisão foi comunicada pessoalmente aos jogadores no CT da Barra Funda, em meio ao ambiente de forte pressão que se instalou no clube após o resultado no Maracanã.
A crise também se estendeu ao lado político. Um grupo de opositores iniciou nesta sexta-feira a coleta de assinaturas para levar ao Conselho Deliberativo um pedido de impeachment do presidente Julio Casares, alegando gestão temerária.
Logo após a conversa de Belmonte com o elenco, o São Paulo divulgou uma nota oficial confirmando sua saída e também o desligamento de Nelson Marques Ferreira e Fernando Bracalle Ambrogi, ambos ligados ao departamento de futebol. O clube informou ainda que o executivo Rui Costa e o coordenador Muricy Ramalho seguem no comando do futebol e no planejamento para 2026.
A relação entre Belmonte e Casares já vinha desgastada. O diretor estava enfraquecido internamente, especialmente após a chegada do superintendente Marcio Carlomagno ao CT, em outubro. A presença do novo dirigente, designado por Casares após a derrota por 3 a 0 para o Mirassol, passou a interferir diretamente no dia a dia do futebol. Carlomagno foi incumbido de acompanhar o orçamento do departamento para 2026, participar do planejamento de metas esportivas e promover o alinhamento entre as áreas do CT, tarefas que antes estavam sob responsabilidade de Belmonte.
Aos poucos, o diretor de futebol perdeu espaço e viu sua atuação ser reduzida. Ainda assim, não demonstrava intenção de deixar o cargo. A goleada sofrida no Maracanã, contudo, mudou o cenário e precipitou sua decisão. Considerado um dos resultados mais duros da história recente do clube, o 6 a 0 serviu como ponto final para a permanência de Belmonte no comando do departamento.
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