Tênis

Estrelas do tênis protestam contra premiação baixa em Roland Garros

Jogadores exigem fatia de 22% do faturamento e criticam torneio francês por pagar menos que os outros Grand Slams

Associação de Tenistas Profissionais denuncia a discrepância nas premiações e ameaça boicote - Foto: Tennis Fever
Associação de Tenistas Profissionais denuncia a discrepância nas premiações e ameaça boicote - Foto: Tennis Fever

Redação Publicado em 06/05/2026, às 13h43


o cenário do tênis mundial ganha contornos de crise às vésperas de Roland Garros. A Associação de Tenistas Profissionais (PTPA), organização cofundada por Novak Djokovic e Vasek Pospisil, utilizou o impasse sobre a premiação do torneio francês para reforçar críticas à gestão global do esporte. Segundo a entidade, sem mudanças de fundo, a modalidade continuará em um ciclo interminável de conflitos.

O centro da disputa é o valor total oferecido pelo torneio francês: 61,7 milhões de euros (aproximadamente R$ 304,8 milhões). Embora represente um aumento de 9,5% para 2026, a cifra segue bem abaixo dos outros Grand Slams. Para efeito de comparação, o Australian Open distribuiu cerca de R$ 551,8 milhões em janeiro, seguido pelo US Open (R$ 444,6 milhões) e Wimbledon (R$ 264,3 milhões em 2025).

Ameaça de boicote

Grandes estrelas, lideradas por Djokovic e Aryna Sabalenka, manifestaram “profunda decepção” e já sinalizam com a possibilidade de boicote caso a discrepância salarial não seja corrigida. A tetracampeã de Grand Slam foi enfática ao cobrar o reconhecimento do valor dos jogadores:

  • “Sinto que o espetáculo depende de nós. Sem nós, não haveria torneio nem entretenimento. Com certeza merecemos receber mais.”

A proposta defendida pelos atletas é uma divisão de 22% das receitas geradas, seguindo o padrão de eventos combinados de nível 1000 da ATP e WTA. Em nota enviada à Reuters, a PTPA apoiou o posicionamento:

  • “Elogiamos e apoiamos totalmente os jogadores por se posicionarem e lutarem pelo que merecem: uma divisão justa das receitas que ajudam a gerar. Há mudanças estruturais profundas e urgentes necessárias no tênis.”

Um esporte "atrás dos outros"

A PTPA sustenta que a fragmentação do tênis, onde cada Grand Slam opera de forma independente e não centralizada, impede o crescimento da categoria. Em comunicado, a associação alertou para a perda de competitividade comercial do esporte:

  • “O tênis está ficando para trás em relação a outros esportes globais em todos os indicadores relevantes por causa de sua estrutura. Enquanto isso não for tratado de forma direta e abrangente, o progresso continuará sendo gradual, e os jogadores seguirão presos ao mesmo ciclo, pressionando por mais premiação temporada após temporada.”

Outro lado e a base da pirâmide

Enquanto os organizadores de Roland Garros, que começa em 24 de maio, ainda não responderam oficialmente às críticas recentes, o torneio havia informado no mês passado que pretende focar em aumentos para as fases qualificatórias e primeiras rodadas. O objetivo seria auxiliar jogadores de ranking mais baixo, que sofrem para custear despesas básicas como viagens, treinadores e equipe médica.

Contudo, para os jogadores, a pauta vai além do dinheiro. Há reclamações de que propostas sobre o bem-estar da categoria e por uma representação mais justa nas decisões dos grandes torneios continuam sem resposta, motivando a ação coletiva movida pela PTPA no ano passado.