Com elenco majoritariamente amador e população reduzida, seleção surpreende nas eliminatórias, chega à repescagem intercontinental e faz campanha histórica, mas vê sonho inédito acabar por detalhe.

Renan Santana Publicado em 27/03/2026, às 12h59
A Nova Caledônia esteve perto de fazer história ao disputar a repescagem intercontinental para a Copa do Mundo, mas foi eliminada pela Jamaica com uma derrota de 1 a 0, encerrando seu sonho de participar do torneio pela primeira vez.
Com uma população de apenas 270 mil habitantes e a maioria dos jogadores amadores, a seleção se destacou ao chegar aos playoffs intercontinentais após uma campanha surpreendente nas Eliminatórias da Oceania, embora tenha enfrentado desafios significativos como longas viagens e dificuldades de liberação dos clubes.
Apesar da eliminação, o desempenho da equipe foi considerado histórico, e o técnico Johann Sidaner ressaltou a importância do feito, destacando a necessidade de união e foco do grupo em meio a um cenário político e econômico delicado em sua relação com a França.
Pequena no mapa, gigante no sonho, a Nova Caledônia esteve muito próxima de alcançar um feito histórico ao disputar pela primeira vez uma Copa do Mundo. O sonho, no entanto, acabou interrompido nesta sexta-feira (27), após derrota para a Jamaica na repescagem intercontinental.
Com pouco mais de 270 mil habitantes e cerca de 5 mil jogadores registrados, o arquipélago localizado no Pacífico Sul, ligado administrativamente à França, vive uma realidade distante dos grandes centros do futebol mundial. Ainda assim, a campanha chamou atenção internacional.
A seleção garantiu vaga nos playoffs intercontinentais após trajetória surpreendente nas Eliminatórias da Oceania. A última etapa rumo ao Mundial de 2026 foi disputada no México, entre os dias 23 e 31 de março.
Em entrevista à CBN Santos, o técnico Johann Sidaner destacou a dimensão do feito. Segundo ele, o avanço já representava um marco inédito para a federação, que nunca havia chegado tão longe.
A equipe perdeu a vaga direta ao ser derrotada pela Nova Zelândia, mas seguiu viva na disputa até o confronto decisivo contra a Jamaica.
Derrota por detalhe em jogo histórico
A seleção da Nova Caledônia foi superada por 1 a 0 pela Jamaica, em duelo disputado no Estádio Akron, em Guadalajara, no México.
O único gol da partida foi marcado por Bailey Cadamarteri, aos 17 minutos do primeiro tempo, após aproveitar rebote do goleiro em cobrança de falta.
Apesar do favoritismo caribenho, a equipe fez um jogo equilibrado e chegou a criar oportunidades, principalmente no segundo tempo, quando Georges Gope-Fenepej teve boa chance de empate, mas não conseguiu finalizar com sucesso.
A partida foi válida pela semifinal da repescagem intercontinental, formato que reúne seleções de diferentes continentes em busca das últimas vagas para a Copa do Mundo de 2026.
Com o resultado, a Jamaica avançou para a decisão contra a República Democrática do Congo, enquanto a Nova Caledônia deu adeus ao sonho inédito.
Limitações e orgulho
Diferentemente das grandes seleções, a equipe contou quase exclusivamente com jogadores amadores durante toda a campanha. Apenas um atleta profissional, que atua no futebol europeu, foi citado pela comissão técnica, o que impacta diretamente na preparação.
Segundo Sidaner, os jogadores precisam conciliar trabalho e futebol, enfrentando longas viagens, que chegaram a durar até 48 horas, além de dificuldades para liberação junto aos clubes.
Mesmo com a eliminação, o desempenho foi considerado histórico. A equipe enfrentou adversários mais estruturados e manteve competitividade até o fim.
Estilo inspirado no Brasil
Apesar das limitações, o treinador apontou semelhanças com o futebol brasileiro, destacando características como criatividade, liberdade e habilidade.
Ao comentar a Seleção Brasileira, afirmou que o país segue como referência mundial, embora avalie mudanças no estilo de jogo ao longo dos anos.
Mais do que futebol
Além dos desafios esportivos, a Nova Caledônia enfrenta um cenário político delicado em sua relação com a França, o que também impacta o desenvolvimento estrutural do esporte.
Segundo o treinador, os efeitos são principalmente econômicos, mas a seleção busca manter o foco e a união do grupo.
Mesmo com a eliminação, a campanha entra para a história. Entre limitações, viagens longas e atletas amadores, a Nova Caledônia mostrou que o tamanho não define o potencial de uma equipe e que o sonho, mesmo interrompido, pode alcançar repercussão mundial.
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