Droga estava escondida em compartimento abaixo da linha d’água utilizado para resfriamento de motores

Redação Publicado em 11/05/2026, às 08h34
Uma operação de inteligência que reuniu forças da Receita Federal, Polícia Federal e Marinha do Brasil conseguiu evitar que uma carga milionária de cocaína deixasse o Porto de Santos rumo ao exterior. No último domingo (10), as autoridades apreenderam 341 quilos da droga que estavam estrategicamente escondidos em um compartimento subaquático de um navio. Apesar do sucesso na apreensão, nenhum suspeito foi detido durante a ação.
O entorpecente estava alojado no chamado sea chest, ou caixa de mar, uma estrutura localizada no interior do casco da embarcação, totalmente abaixo da linha d’água. Esse compartimento é vital para o funcionamento do navio, pois serve para captar a água do mar utilizada no resfriamento dos motores. Por ser um local de difícil acesso e invisível para quem está no convés, o crime organizado tem utilizado essa técnica para tentar burlar a fiscalização.
Operação de risco e tecnologia
A retirada da droga exigiu uma logística complexa e perigosa. Como os fardos estavam submersos, foi necessária a atuação de mergulhadores especializados dos órgãos federais para realizar a inspeção e a remoção segura do material. O trabalho em águas portuárias é considerado de alto risco devido à baixa visibilidade e às correntes marítimas, exigindo treinamento rigoroso das equipes de elite da Marinha e das polícias.
Diferente do que se possa imaginar, a escolha do navio para a vistoria não foi feita ao acaso. De acordo com a Receita Federal, a ação foi fruto de um minucioso trabalho de gestão e análise de riscos. Os auditores e agentes monitoram rotas, comportamentos de tripulações e históricos de embarcações que operam no cais santista, o que permitiu identificar o navio suspeito antes mesmo que ele iniciasse sua jornada internacional.
Combate ao tráfico internacional
Esta apreensão reforça o papel estratégico do Porto de Santos no monitoramento do tráfico transatlântico. O porto é um dos principais pontos de saída de mercadorias para a Europa e África, o que atrai o interesse constante de organizações criminosas. O uso de mergulhadores e de tecnologia de escaneamento de cascos tem sido a resposta das forças de segurança para combater as táticas cada vez mais sofisticadas de ocultação de entorpecentes.
A droga apreendida foi encaminhada para a Delegacia da Polícia Federal em Santos, onde passará por perícia técnica. Agora, as investigações prosseguem para tentar identificar quem foram os responsáveis pela colocação da carga no casco e qual seria o destino final do carregamento. A integração entre os órgãos federais é vista como a principal ferramenta para sufocar o financiamento dessas organizações criminosas que utilizam a infraestrutura portuária para o tráfico.
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