Santos FC

Relatório financeiro do Santos revela dívida de R$ 1,09 bilhão e alta na folha salarial

Aumento das obrigações trabalhistas e contratos de imagem contribuem para o crescimento do passivo financeiro

Dívida do Santos FC chega a R$ 1.094.039.000, um aumento significativo em relação ao final de 2022 - Foto: Raul Baretta/ Santos FC
Dívida do Santos FC chega a R$ 1.094.039.000, um aumento significativo em relação ao final de 2022 - Foto: Raul Baretta/ Santos FC

Gabriella Souza Publicado em 19/06/2026, às 11h36


As finanças do Santos FC fecharam o primeiro trimestre com um aumento em seu passivo financeiro global. Um relatório oficial emitido pelo Conselho Fiscal do clube aponta que a dívida acumulada da instituição ultrapassou a marca de R$ 1 bilhão, atingindo o montante exato de R$ 1.094.039.000 até o final de março. Para efeito de comparação, o balanço encerrado em dezembro contabilizava um endividamento de R$ 998.500.000.

O diagnóstico será apresentado formalmente na próxima terça-feira durante a sessão ordinária do Conselho Deliberativo, que ocorrerá nas dependências da Vila Belmiro. Por se tratar de um balanço informativo trimestral, a pauta servirá apenas para a apreciação e debate entre os conselheiros, sem previsão de votação ou necessidade de aprovação de contas.

Impacto da valorização do elenco e alta na folha salarial

O avanço do passivo foi impulsionado pelo incremento das obrigações correntes ligadas ao departamento de futebol profissional. O relatório discrimina que os compromissos com encargos trabalhistas saltaram de R$ 37.706.000 para R$ 68.810.000. De igual modo, os valores devidos em contratos de direitos de imagem de atletas e comissão técnica praticamente dobraram, passando de R$ 25.970.000 para R$ 50.867.000.

Essa variação está atrelada à reestruturação do plantel principal conduzida pela gestão do presidente Marcelo Teixeira. O custo da folha salarial do elenco profissional, que era de R$ 21,9 milhões em outubro do ano passado, subiu para R$ 29,6 milhões mensais em março. De acordo com o Conselho Fiscal, o acréscimo decorre da "contratação de novos atletas e da consequente valorização do elenco, o que reflete no aumento do ativo intangível".

Alertas sobre fluxo de caixa e ponderações fiscais

 Os técnicos apontaram que o cenário final de março mostrou-se financeiramente mais favorável do que a projeção orçamentária inicial do clube, quando imaginava que o endividamento pudesse alcançar o patamar de R$ 1.163.739.000 no mesmo período. Dessa forma, as contas seguem formalmente dentro das metas de previsão orçamentária aprovadas para o exercício corrente.

Contudo, o parecer emitiu uma recomendação de cautela à diretoria executiva a fim de evitar novos exageros no fluxo de caixa. O Conselho Fiscal relatou a ocorrência de episódios pontuais de atrasos no pagamento de salários e direitos de imagem ao longo dos três primeiros meses do ano, embora a administração tenha apresentado documentos comprovando a regularização da maior parte destas pendências no decorrer do segundo trimestre.

O órgão concluiu reforçando o pedido de responsabilidade fiscal na gestão do futebol, alertando que a reiteração de atrasos deve ser evitada "a fim de impedir rescisões unilaterais e incidências de multas contratuais".