Crime sexual

Ademário, ex-prefeito de Cubatão, é acusado de estupro contra servidora

Crime teria ocorrido durante festa de aniversário; vítima relata que teve o vestido levantado à força e passou por situação traumatizante

Imagem: Reprodução | G1
Imagem: Reprodução | G1

Jair Viana Publicado em 30/01/2026, às 17h27


Um escândalo sexual coloca o ex-prefeito de Cubatão, Ademário da Silva Oliveira, no noticiário policial. Ele é acusado de estuprar uma servidora municipal quando ainda era chefe do Executivo, em 2020.

Documentos do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), aos quais a CBN teve acesso, apontam que Ademário é formalmente acusado de cometer estupro com violência contra uma funcionária pública municipal durante uma festa de aniversário. O crime teria ocorrido em outubro de 2020, dentro do banheiro do antigo Bar Barkana, enquanto o acusado ainda ocupava o cargo máximo do Executivo local. De acordo com a promotoria, ele teria se aproveitado da posição de autoridade para violentar uma subordinada da Secretaria de Cultura, em um episódio descrito como brutal e abusivo.

MP-SP apresenta denúncia à Justiça em Cubatão e detalha fatos apurados em inquérito ||| Imagem: Acervo

Os detalhes narrados pelo MP são considerados graves. A vítima, S. S. L., relata que foi surpreendida ao sair de uma cabine quando o então prefeito a empurrou de volta para dentro do espaço. Ainda segundo a denúncia, ele teria levantado o vestido dela à força e a apalpado de forma agressiva, ignorando a resistência e o fato de se tratar de uma servidora sob sua chefia. A vítima afirma que só conseguiu escapar após grande esforço físico. O MP destaca que a relação hierárquica entre agressor e vítima agrava o caso, caracterizando possível abuso de poder institucional.

A promotoria sustenta a acusação com base na coerência do depoimento da vítima, em um áudio entregue por ela à polícia e no contexto de subordinação. O MP também requisitou a análise completa do celular apreendido do ex-prefeito, em busca de possíveis evidências digitais. Enquanto a apuração por assédio sexual foi arquivada por falta de provas materiais, a investigação por estupro seguiu adiante, com pedido de reparação moral de 20 salários mínimos para a funcionária. O caso levanta questionamentos sobre o uso da autoridade pública e o impacto da violência sexual em ambientes de poder.

Outro Lado

A defesa de Ademário da Silva Oliveira afirmou, em nota enviada à imprensa, que “o processo tramita em segredo de justiça” e que, por isso, “todas as informações serão prestadas com a devida cautela e reserva”. Os advogados destacaram que, apesar da denúncia apresentada pelo Ministério Público, “ao final das investigações conduzidas pela Polícia Civil (...) não houve o indiciamento de nosso cliente” e sustentaram “de forma categórica e inequívoca a inocência de Ademário”. A nota também diz que “os fatos objeto da denúncia data do ano de 2020”, mas que só foram comunicados às autoridades “somente em 2025”, afirmando ainda confiança de que “a verdade prevalecerá ao final da instrução processual”.