Cerimônia especial na Ermida de Santo Antônio celebra o padroeiro do Guarujá com a presença de fiéis e autoridades locais

Redação Publicado em 20/01/2026, às 09h35
Um cenário carregado de história e cercado pela natureza serviu de palco para um momento especial de devoção em Guarujá. As antigas paredes de pedra da Ermida de Santo Antônio do Guaibê, que normalmente repousam em silêncio às margens do Canal de Bertioga, ganharam vida e movimento na última quinta-feira (15). O local foi o ponto de encontro escolhido para a tradicional missa campal que celebrou o dia de Santo Amaro, o padroeiro do município.
A escolha do lugar não foi por acaso e trouxe um peso simbólico para a cerimônia. Estamos falando de uma capela construída ainda no século XVI, considerada uma das primeiras igrejas erguidas no Brasil. Foi nesse ambiente, que mistura o verde da mata com a memória do passado, que moradores, autoridades e grupos religiosos se reuniram para prestar suas homenagens.
A celebração foi comandada pelos padres Rangel Santos e Carlos de Miranda, mas o destaque ficou por conta da união da comunidade. Caravanas de diversas partes da cidade fizeram questão de comparecer. Fiéis das paróquias Cristo Rei, Bom Jesus, Nossa Senhora de Fátima, São José (de Vicente de Carvalho) e da própria Matriz de Santo Amaro se juntaram para rezar em conjunto ao ar livre.
Onde Anchieta pisou
Mais do que uma simples missa, o evento foi uma viagem no tempo. A Ermida do Guaibê é um patrimônio precioso para a região porque tem uma ligação direta com a formação do país e com a figura de Padre José de Anchieta.
Segundo os historiadores, era ali que o santo jesuíta costumava rezar missas e fazer o trabalho de catequese com os indígenas há centenas de anos. Estar no mesmo solo onde uma figura tão importante da história caminhou trouxe uma emoção diferente para quem acompanhou a liturgia.
O mistério das luzes
Durante o sermão, os padres aproveitaram o ambiente para relembrar uma das histórias mais bonitas e misteriosas da tradição católica local: o "Milagre das Luzes".
Essa lenda antiga, passada de geração em geração, conta que, anos após a morte de Anchieta, a capela teria sido palco de um fenômeno inexplicável. Relatos da época diziam que a Ermida apareceu totalmente iluminada por uma luz muito forte e intensa, acompanhada por uma música que parecia vir do céu, sem que houvesse ninguém lá dentro tocando ou acendendo velas. Recordar esse episódio lendário durante a homenagem ao padroeiro reforçou a fé dos presentes e valorizou a cultura popular que sobrevive nas pedras daquele lugar histórico.
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