Ações policiais no litoral de São Paulo entram no radar internacional por denúncias de violações de direitos humanos

Otávio Alonso Publicado em 20/01/2026, às 14h46
As operações policiais Verão e Escudo em São Paulo estão sob investigação internacional após denúncias de violações de direitos humanos, apresentadas à Comissão Interamericana de Direitos Humanos por entidades da sociedade civil.
As operações policiais Verão e Escudo, realizadas pelo governo de São Paulo na Baixada Santista, passaram a ser observadas fora do país. O Brasil foi denunciado à Comissão Interamericana de Direitos Humanos, órgão ligado à Organização dos Estados Americanos, por supostas violações de direitos humanos durante as ações de segurança pública.
A denúncia foi apresentada por entidades da sociedade civil e aponta um padrão de atuação policial marcado por mortes em operações, denúncias de uso excessivo da força e falhas na investigação dos casos. O documento cita diretamente as operações realizadas no litoral paulista, especialmente em cidades como Guarujá, Santos, São Vicente e Praia Grande.
A Operação Escudo foi deflagrada após a morte de um policial da Rota, em 2023, e resultou em uma série de incursões policiais concentradas na Baixada Santista. Já a Operação Verão, que acontece anualmente, amplia a presença das forças de segurança durante a alta temporada, período em que a região recebe milhares de turistas.
Segundo os denunciantes, as ações resultaram em dezenas de mortes, a maioria em bairros periféricos, além de relatos de abordagens violentas, invasões de domicílio e ausência de responsabilização efetiva dos agentes envolvidos.
A Comissão Interamericana de Direitos Humanos não atua como um tribunal criminal, mas pode:
Solicitar esclarecimentos formais ao Estado brasileiro
Emitir recomendações sobre mudanças nas políticas públicas
Encaminhar o caso à Corte Interamericana de Direitos Humanos, em etapas posteriores
O processo é considerado longo e envolve análise técnica, contraditório e avaliação do mérito da denúncia.
Em resposta às críticas, o governo paulista afirma que as operações foram conduzidas dentro da legalidade, com foco no enfrentamento ao crime organizado e na proteção da população. A Secretaria da Segurança Pública sustenta que os agentes atuaram conforme protocolos e que eventuais abusos são apurados pelas corregedorias.
O Estado também destaca a queda de indicadores criminais durante o período das operações como argumento para a manutenção da estratégia de segurança.
Na região, a denúncia internacional reacende discussões sobre o modelo de policiamento adotado, o equilíbrio entre repressão ao crime e respeito aos direitos humanos, além do impacto das operações no cotidiano das comunidades.
Organizações locais defendem mudanças na política de segurança e maior transparência nas investigações, enquanto parte da população cobra ações mais firmes contra a criminalidade.
O caso segue em análise pela comissão internacional e pode gerar novos desdobramentos diplomáticos e institucionais nos próximos meses.
A Operação Verão é uma ação de segurança pública realizada pela Polícia Militar do Estado de São Paulo com foco no litoral paulista, especialmente na Baixada Santista, durante a alta temporada de verão. Tradicionalmente, esse tipo de operação reforça o policiamento ostensivo em praias e cidades turísticas entre dezembro e fevereiro, com o objetivo declarado de reduzir roubos, furtos e crimes contra visitantes e moradores. Na edição mais recente, o governo estadual mobilizou mais de 4 mil policiais militares, com apoio da Polícia Civil e do Corpo de Bombeiros, em um esquema considerado o maior da história para a temporada na região.
Apesar de tradicionalmente associada ao reforço de segurança na virada de ano, a Operação Verão ganhou notoriedade por incidentes violentos e número elevado de confrontos em comunidades periféricas, deixando dezenas de mortos durante o período de 2023/2024 e gerando receio entre moradores de áreas populares, que relataram medo diante do uso intenso da força policial.
A Operação Escudo foi deflagrada no contexto de uma resposta da Polícia Militar de São Paulo após a morte de policiais em serviço — incluindo agentes que haviam atuado na Operação Verão na Baixada Santista — e tinha como objetivo oficial o enfrentamento ao crime organizado e a repressão a grupos armados.
Na prática, a Escudo se somou às ações da Verão em uma força-tarefa prolongada na região portuária e em bairros periféricos das cidades do litoral. Organizações de direitos humanos e relatórios independentes apontam que, entre julho de 2023 e abril de 2024, as operações Escudo e Verão resultaram em dezenas de mortes e prisões em massa e foram descritas como as mais letais na história recente da Polícia Militar paulista desde o Carandiru, com acusações de execuções sumárias, tortura e obstrução de investigações.
As operações ganharam atenção nacional e internacional não apenas pelo número de ocorrências com desfechos fatais, mas também pelo debate sobre táticas policiais e direitos humanos no Brasil. Relatórios de monitoramento de direitos humanos ressaltam conflitos entre estratégias de segurança e garantias civis, apontando para a necessidade de transparência, uso de câmeras corporais e supervisão externa nas ações de grande escala.
A denúncia contra o Brasil foi apresentada à Comissão Interamericana de Direitos Humanos a partir de relatos de violações sistemáticas de direitos humanos ocorridas durante as operações policiais Escudo e Verão, realizadas principalmente na Baixada Santista. Organizações denunciantes apontam que as ações ultrapassaram o caráter pontual de enfrentamento ao crime e passaram a apresentar um padrão recorrente de letalidade policial.
Segundo o documento encaminhado à comissão, há indícios de que mortes ocorridas durante as operações não teriam sido devidamente investigadas, além de relatos de execuções extrajudiciais, invasões de domicílio sem mandado judicial e uso desproporcional da força em comunidades periféricas. As entidades também afirmam que familiares das vítimas enfrentam dificuldades para obter informações e responsabilização dos agentes envolvidos.
Outro ponto central da denúncia é a alegação de falhas estruturais do Estado brasileiro em garantir controle externo das ações policiais e transparência nas apurações, o que, na avaliação dos denunciantes, viola compromissos internacionais assumidos pelo Brasil na área de direitos humanos.
Número elevado de mortes em operações policiais
Suspeitas de execuções extrajudiciais
Uso excessivo da força em áreas vulneráveis
Falta de investigação independente e célere
Ausência de responsabilização efetiva dos agentes
Impacto desproporcional sobre populações periféricas
Esses fatores levaram a comissão internacional a abrir análise preliminar do caso, colocando as operações realizadas no litoral paulista sob observação internacional e ampliando a pressão por respostas institucionais do Estado brasileiro.

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