Jovem de 22 anos afirma ter sido alvo de comentários ofensivos sobre cabelo e peso enquanto tratava pneumonia; prefeitura, conselho de enfermagem e polícia investigam o caso.

Redação Publicado em 14/03/2026, às 13h58
Uma jovem de 22 anos denunciou ter sofrido racismo e gordofobia durante atendimento na UPA da Zona Noroeste em Santos, onde uma técnica de enfermagem fez comentários ofensivos sobre seu cabelo e peso enquanto ela tratava pneumonia.
O incidente ocorreu após a jovem receber alta, e a técnica insinuou que o peso dela estava relacionado ao consumo de doces, gerando constrangimento e insegurança, levando-a a pedir alta antes de completar o tratamento.
A Prefeitura de Santos e o Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo abriram investigações sobre o caso, enquanto a ocorrência foi registrada como injúria e encaminhada à Polícia Civil para apuração.
Uma jovem de 22 anos denunciou ter sido vítima de racismo e gordofobia durante atendimento na UPA da Zona Noroeste, em Santos, no litoral paulista. Segundo a paciente, uma técnica de enfermagem fez comentários ofensivos sobre o cabelo e o peso dela enquanto estava internada para tratar uma pneumonia.
De acordo com o relato da vítima, o episódio ocorreu na manhã de quinta-feira (12), após um médico informar que ela poderia receber alta hospitalar. Assim que o profissional deixou o quarto, a técnica teria feito comentários em tom de deboche.
“Ela disse que era bom eu ir para casa lavar meu ‘cabelo duro’, que estava embolado e fedido, e que eu precisava arrumar o cabelo e tomar banho direito”, relatou a jovem.
Ainda segundo a paciente, momentos depois a profissional tentou aferir a pressão arterial. Como o equipamento apresentou erro, a técnica teria afirmado que o braço da paciente era “muito gordo” e que seria necessário um aparelho maior.
A jovem contou que a funcionária ainda insinuou que o peso estaria relacionado ao consumo de doces e chegou a procurar alimentos dentro da mochila dela.
Reação e denúncia
A paciente afirmou que ficou constrangida e relatou o ocorrido ao médico responsável pelo atendimento, que acionou a coordenação da unidade. Posteriormente, a enfermeira-chefe informou que a técnica reconheceu ter feito os comentários, mas alegou que se tratava de “brincadeira”.
Segundo a jovem, após a reclamação ela passou a se sentir insegura dentro da unidade e decidiu pedir alta hospitalar antes de concluir totalmente o tratamento.
“É uma situação grave de racismo e tratamento desumano. Ninguém deveria passar por isso dentro de um hospital, ainda mais quando está vulnerável e internado”, disse.
Investigação
A Prefeitura de Santos informou que abriu apuração administrativa em conjunto com a organização social responsável pela gestão da unidade.
O Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo também confirmou a abertura de uma sindicância para investigar a conduta da profissional. Segundo o conselho, a análise ocorrerá sob sigilo e, caso sejam identificados indícios de infração ética, poderá ser instaurado um processo disciplinar.
A ocorrência também foi registrada como injúria e encaminhada para investigação pela Polícia Civil de São Paulo, por meio do 5º Distrito Policial de Santos.
Em nota, a Secretaria de Saúde municipal afirmou que não compactua com qualquer tipo de discriminação e reforçou que todas as unidades da rede devem garantir atendimento humanizado aos pacientes.
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