Tecnologia permite decisões estratégicas em tempo real, economizando combustível e reduzindo emissões de carbono no transporte marítimo

Redação Publicado em 18/02/2026, às 08h20
Em um cenário de mudanças climáticas globais e eventos extremos cada vez mais frequentes, a operação no maior porto da América Latina decidiu trocar a incerteza pela ciência de dados. A Autoridade Portuária de Santos (APS) e grandes terminais, como a Santos Brasil, estão investindo pesado na chamada "inteligência climática". A ferramenta, que vai muito além da simples previsão do tempo, coleta e cruza dados sobre ventos, marés, correntes e visibilidade para orientar decisões estratégicas, evitar tragédias e, principalmente, reduzir os gargalos logísticos que custam milhões ao setor.
A APS avançou nessa frente ao firmar, ainda em 2024, um acordo de cooperação para a implementação da plataforma i4cast, desenvolvida pela empresa i4Sea. O objetivo é criar um modelo de previsão local altamente específico para o canal do estuário.
Mateus Lima, CEO da empresa desenvolvedora, explica que a tecnologia combina histórico regional com monitoramento em tempo real. O resultado é prático: a redução drástica no tempo de ociosidade. "A inteligência climática reduziu o tempo de espera de um de nossos clientes de sete para três dias. Ela é capaz de otimizar um dos maiores gargalos do porto, que é a fila de navios na barra", destaca.
Do "achismo" à precisão cirúrgica
Para os operadores portuários, a ferramenta mudou a rotina de trabalho. Evelyn Lima, diretora de Planejamento Operacional da Santos Brasil, relata que, até 2021, as decisões eram baseadas em previsões genéricas da internet, que muitas vezes falhavam. Com a chegada de navios cada vez maiores, que exigem condições de manobra muito específicas, a margem para erro zerou. "Começamos a personalizar a operação com cenários climáticos. Antes, o navio chegava, a equipe estava pronta, mas ele não entrava por mau tempo. A ferramenta veio para equalizar isso", afirma.
Economia e sustentabilidade
A aplicação prática dessa tecnologia gera economia de combustível e redução na emissão de carbono. Um exemplo citado por Evelyn ilustra bem o ganho logístico: se a previsão indica uma tempestade em Santos no momento exato da chegada de um navio, o sistema permite que o armador altere a rota em tempo real. Em vez de ficar parado na barra de Santos queimando combustível e dinheiro, o navio pode seguir primeiro para Paranaguá (PR), operar lá, e retornar a Santos 48 horas depois, quando o tempo estiver limpo e o berço liberado.
Além da movimentação de cargas, a inteligência climática impacta a gestão de recursos humanos. Saber com 75% de certeza se o porto fechará ou não à meia-noite permite que os gestores decidam, com antecedência, se devem ou não contratar um turno extra de trabalhadores estivadores, evitando custos desnecessários com mão de obra parada. "Vale o investimento. Um time experiente olhando essa configuração de dados faz todo o diferencial", conclui a diretora.
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