Dentista destaca que negligenciar a boca pode trazer impactos físicos, emocionais e sistêmicos

Redação Publicado em 06/04/2026, às 18h12
A ideia de que é possível cuidar da saúde de forma isolada ainda persiste no cotidiano de muitos brasileiros. Segundo o dentista Antônio Marcos do Nascimento, essa visão fragmentada acaba deixando a saúde bucal em segundo plano, tratada muitas vezes apenas como uma questão estética.
“Existe um equívoco silencioso na forma como encaramos o corpo. Acreditamos que podemos cuidar da saúde em partes, mas isso não corresponde à realidade”, afirma o profissional.
De acordo com ele, enquanto exames de rotina e cuidados emocionais ganham atenção, a boca ainda é negligenciada. “Muita gente ainda associa o sorriso apenas à aparência, quando na verdade ele tem um papel fundamental no funcionamento do organismo”, explica.
A cavidade oral, ressalta o especialista, é uma das principais portas de entrada do corpo e um dos primeiros locais a apresentar sinais de desequilíbrio. “A boca pode revelar problemas que ainda nem foram diagnosticados em outras áreas. Mesmo assim, esse papel segue sendo subestimado”, diz.
Estudos científicos já demonstram que infecções bucais não tratadas podem ter consequências além da região oral. “Bactérias presentes na boca podem alcançar a corrente sanguínea e contribuir para processos inflamatórios ligados a doenças cardiovasculares”, destaca.
No caso do diabetes, a relação é ainda mais delicada. “A doença aumenta a vulnerabilidade a problemas gengivais, e a inflamação bucal, por sua vez, dificulta o controle da glicemia. É uma via de mão dupla que exige atenção”, afirma.
Para o dentista, esses fatores reforçam a importância de compreender a saúde bucal como parte da saúde sistêmica. “Não estamos falando apenas de dentes. Estamos falando do equilíbrio do organismo como um todo”, pontua.
Os impactos também se estendem ao campo emocional e social. Dor, desconforto ou insegurança com o sorriso podem interferir diretamente na qualidade de vida. “A saúde bucal influencia a autoestima, a forma como a pessoa se comunica e até a maneira como se relaciona com os outros. Em casos mais graves, pode levar ao isolamento”, observa.
Apesar disso, o cuidado odontológico ainda costuma ser deixado para depois. “Muitas pessoas só procuram atendimento quando já há dor ou algum problema instalado. Isso mostra que ainda tratamos a odontologia como algo opcional”, avalia.
Ele defende que essa percepção precisa ser revista com urgência. “Promover saúde bucal é investir em prevenção. Consultas regulares e higiene adequada não evitam apenas cáries, mas reduzem riscos maiores e permitem diagnósticos precoces”, explica.
Na avaliação do especialista, o tema vai muito além da estética. “O que está em jogo é qualidade de vida, longevidade e bem-estar integral”, afirma.
Ao final, ele reforça a necessidade de uma mudança de mentalidade. “O corpo não funciona em partes. E a saúde não começa onde muita gente imagina. Ela começa pela boca”, conclui.
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