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Trump bate Biden no primeiro debate rumo à Casa Branca

A eleição do próximo presidente dos Estados Unidos influenciará a política econômica mundial

O debate lembrou o embate entre John Kennedy e Richard Nixon, em 1960 - Imagem: Redes Sociais
O debate lembrou o embate entre John Kennedy e Richard Nixon, em 1960 - Imagem: Redes Sociais
Reinaldo Polito

por Reinaldo Polito

Publicado em 28/06/2024, às 13h20


Nesta quinta-feira, 27, Trump e Biden se enfrentaram pela primeira vez como candidatos à presidência nas próximas eleições. O debate ocorreu em Atlanta sob grande expectativa não só dos americanos como também da população de todos os países. A eleição do próximo presidente dos Estados Unidos influenciará a política econômica mundial.

Se o debate entre Trump e Biden fosse um jogo de futebol, seria possível dizer que o candidato republicano desafiante deu um chocolate no presidente. Até os democratas e os jornalistas que não perdem oportunidade de torcer o nariz para Trump reconheceram que o atual inquilino da Casa Branca foi um desastre.

Frágil e inseguro

A assessoria de Biden alegou que a gripe foi responsável por sua voz frágil e hesitante. Na verdade, não foi apenas esse aspecto que chamou a atenção. O que mais impressionou foram a ausência de sequência lógica do raciocínio e a falta de articulação fluente de suas palavras.

O debate lembrou bastante um dos confrontos mais emblemáticos da história política dos Estados Unidos, o embate entre John Kennedy e Richard Nixon, em 1960. Naquela oportunidade, praticamente todo o país parou para assistir a essa contenda. Muitos especialistas dizem que o desempenho de Kennedy diante da quase apatia de Nixon foi um dos principais motivos da vitória do democrata.

Exemplo histórico

Kennedy se mostrou atento a tudo o que ocorria à sua volta e aparentou sempre controle e muita tranquilidade. Enquanto Nixon se comportou de maneira hesitante, sem objetividade. Sim, os candidatos se comportaram naquela época mais ou menos como os atuais concorrentes. É uma prova de que a forma pode ser tão ou até mais importante que o conteúdo nessas ocasiões.

Biden parecia lutar apenas para não ser nocauteado. Semelhante a um estudante inseguro que responde às perguntas de um professor numa prova oral. Só se expressou com veemência quando o adversário levou o nome do seu filho para a discussão.

Insistiu na imigração

Sentindo o cheiro de sangue, Trump partiu para o ataque, falando apenas sobre o que julgou conveniente. Desconversou sobre as questões climáticas e da promessa de respeitar o resultado das eleições.

Desde o início até o final, independentemente da questão levantada, insistia em falar sobre os problemas da imigração desenfreada. Colocou na conta dos imigrantes ilegais todos os problemas do país, desde assassinatos, aumento no consumo de drogas e até desemprego. Nem Biden, nem os jornalistas responsáveis pela condução do debate conseguiram impedir essa estratégia.

Biden e suas conquistas

Biden tentou falar das conquistas de seu governo, mas de forma tão tímida que dava a impressão de pedir desculpas pelos resultados. Partiu para o ataque pessoal ao dizer que Trump é um condenado e que o oponente havia mantido relações sexuais com Stormy Daniels

quando sua esposa estava grávida. O ex-presidente não esticou o assunto. Defendeu-se afirmando que nunca havia transado com uma estrela pornô.

Conflitos externos

Ao debaterem as questões que envolvem as guerras, o republicano garantiu que os conflitos não teriam iniciado se ele fosse o presidente. Chamou também de vergonhosa a saída dos americanos do Afeganistão, pois deixaram para trás uma fortuna em equipamentos bélicos e soldados compatriotas.

Comentou que Volodimir Zelenski é um ótimo negociador, pois todas as vezes que vai aos Estados Unidos sai com bilhões de dólares. Também acusou Biden de se render aos chineses, e que esses tomariam conta do país. Todos esses ataques tinham um objetivo – mostrar que o presidente não tem condições de continuar na Casa Branca.

Imagem prejudicada

Em vários momentos, Trump enfatizou o fato de que os Estados Unidos já não são mais respeitados no mundo. Disse que ninguém mais teme os norte-americanos. Que são hoje motivo de chacota. E que essa imagem negativa foi provocada pelas ações equivocadas de Biden. Essas informações mexem com o brio e a vaidade dos eleitores.

No final já havia rumores velados de que talvez fosse melhor Biden ser substituído por outro candidato mais bem-preparado para enfrentar Trump. Esse é um dilema difícil de ser resolvido. Se Biden continuar da forma como se apresentou no debate, corre sério risco de ser derrotado no dia 5 de novembro. Se for substituído, ainda assim será uma vitória para Trump, que se mostrou tão forte e poderoso a ponto de afugentar seu oponente.

Ainda há tempo

É só o começo, mas Biden queimou na largada. Talvez com a saúde não tão debilitada e mais bem-preparado para as questões que, com certeza, se repetirão nos próximos encontros, poderá ter outro tipo de desempenho.

Como chegará sob a suspeita até de seus apoiadores, terá de se sair muito bem para apagar a imagem negativa que deixou nesse 27 de junho. Nada impossível para alguém que já venceu as eleições presidenciais do mais importante país do planeta.

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