Investigação aponta que a droga seguiria para o Reino Unido, passando pelo porto de Antuérpia na Bélgica

Redação Publicado em 24/02/2026, às 09h21
A Alfândega da Receita Federal em Santos desferiu um duro golpe contra o tráfico internacional de entorpecentes nesta segunda-feira (23). Durante uma operação de rotina voltada à vigilância e repressão aduaneira, as equipes de fiscalização conseguiram interceptar uma carga de 461 kg de cocaína de alta pureza. A droga estava meticulosamente ocultada em um carregamento de 51 toneladas de papel, distribuído em dois contêineres que aguardavam o embarque no maior complexo portuário da América Latina.
A localização do entorpecente foi resultado do trabalho de inteligência e da análise de risco realizada pelos auditores-fiscais. Carga total estava acondicionada em 104 estrados de madeira. Ao submeterem os compartimentos a critérios rigorosos de inspeção, os agentes notaram discrepâncias em um dos contêineres.
A tática utilizada pelos criminosos consistia na substituição de pacotes de papel do tipo A4 por tabletes da droga, tentando simular o peso e o volume da mercadoria lícita para ludibriar o escaneamento e a conferência física.
Rota internacional e destino europeu
As investigações preliminares apontam que o carregamento seguiria uma rota comum no tráfico transatlântico. Os contêineres seriam embarcados com destino inicial ao porto de Antuérpia, na Bélgica, um dos principais pontos de entrada de mercadorias na Europa e frequentemente utilizado como hub de transbordo. No entanto, o destino final da carga contaminada era o Reino Unido, onde o valor de revenda da cocaína atinge cifras astronômicas no mercado ilegal.
A escolha de cargas de papel para a ocultação da droga não é aleatória; o material oferece densidade e características que desafiam os métodos convencionais de inspeção, exigindo tecnologia de ponta e o uso de cães de faro para a confirmação da presença de ilícitos. Esta apreensão reforça a importância estratégica do Porto de Santos no combate ao crime organizado global, servindo como uma barreira essencial para impedir que o território brasileiro seja utilizado como entreposto para cartéis internacionais.
Procedimentos policiais e inquérito
Imediatamente após a confirmação da "contaminação" da carga, a Polícia Federal foi acionada para comparecer ao terminal portuário. Os agentes federais realizaram a perícia técnica no local para coletar vestígios, impressões digitais e outras evidências que possam levar à identificação dos responsáveis pela logística do envio. A droga foi pesada e encaminhada para o depósito da Delegacia de Polícia Federal em Santos, onde permanecerá sob custódia até a autorização judicial para incineração.
Um inquérito policial será instaurado para aprofundar as investigações. O foco agora será rastrear a origem do papel e identificar em qual etapa da cadeia logística a droga foi inserida no contêiner, se ainda na fábrica, durante o transporte rodoviário ou já dentro do terminal portuário. Ninguém foi preso durante a ação desta segunda-feira, mas os dados obtidos com a apreensão serão compartilhados com agências de inteligência internacionais para desarticular a conexão entre os fornecedores brasileiros e os distribuidores europeus.

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