Um homem se apresentava como corretor e enganou dezenas de famílias na Baixada Santista

Redação Publicado em 19/02/2026, às 09h22
A Prefeitura de Guarujá tornou-se palco de um protesto de moradores que buscam justiça após caírem em um sofisticado esquema de estelionato. Um homem, que se apresentava falsamente como corretor de imóveis, é acusado de vender unidades habitacionais de projetos sociais do município. O caso ganhou repercussão nacional após fotos do suspeito circularem em alertas de segurança nas redes sociais, revelando que o golpe pode ter atingido dezenas de famílias na Baixada Santista.
Na última sexta-feira (16), um grupo de moradores esteve na sede da administração municipal para relatar a fraude e cobrar medidas imediatas. De acordo com os relatos, o suspeito agia com base na confiança e indicações de amigos, prometendo a entrega de chaves mediante pagamentos via Pix e em espécie. O impacto financeiro é severo: uma das vítimas, de 34 anos, relatou um prejuízo de R$ 16 mil, pago como entrada por um imóvel que deveria ter sido entregue em agosto de 2025.
Modus operandi e o grupo de vítimas
O estelionatário utilizava contratos forjados que imitavam a documentação oficial da prefeitura para dar credibilidade ao negócio. Sempre que os prazos de entrega das chaves venciam, ele apresentava desculpas variadas para adiar o processo, mantendo as vítimas em um ciclo de falsas expectativas. A casa caiu quando o alerta digital foi disparado. Atualmente, um grupo no WhatsApp já reúne mais de 30 pessoas que afirmam terem sido enganadas pelo mesmo indivíduo, trocando informações para fortalecer a denúncia coletiva.
Esclarecimentos da secretaria de habitação
Durante a reunião com os lesados, o secretário de Habitação, Pedro Luís de Freitas Gouvêa Jr., foi enfático ao afirmar que não existe venda direta de unidades habitacionais populares pela prefeitura. Ele confirmou que os documentos apresentados pelo suposto corretor são fraudulentos e carecem de qualquer valor jurídico.
O secretário reforçou que as próximas 600 unidades habitacionais a serem entregues no município já possuem destino certo e seguem critérios sociais rigorosos. As moradias são destinadas exclusivamente a famílias selecionadas que vivem em áreas de risco (desmoronamento ou alagamento) ou que perderam seus lares em desastres naturais.
Próximos passos jurídicos
Embora as vítimas tenham solicitado que a própria prefeitura registrasse o boletim de ocorrência, a administração informou que o caso será analisado pela Assessoria Geral do Município (AGM). Juridicamente, o crime de estelionato exige que a vítima direta registre a queixa. Portanto, a orientação oficial é que todos os prejudicados procurem a Delegacia de Polícia de Guarujá para formalizar a denúncia. A polícia agora trabalha para localizar o suspeito e apurar se houve a participação de mais pessoas na elaboração dos documentos falsos.
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