Ação visava desarticular o tráfico de drogas na Baixada Santista e culminou em um embate armado com o suspeito

Gabriella Souza Publicado em 19/02/2026, às 08h37
Uma tarde que deveria ser de cumprimento de diligências investigativas transformou-se em um cenário de guerra nas ruas da Ponta da Praia, bairro de Santos. Na última terça-feira (17), uma operação da Polícia Civil com o objetivo de desarticular o braço logístico do crime organizado terminou em um intenso tiroteio, mobilização de tropas de choque e na prisão em flagrante de um homem de 35 anos, conhecido no submundo do crime pelo apelido de 'Zinho'.
O suspeito já era um alvo antigo das autoridades. Investigações em curso apontavam o forte elo de 'Zinho' com lideranças do tráfico de drogas que atuam na Baixada Santista. O estopim para a operação desta terça-feira foi uma delação recente e detalhada, que indicava o imóvel do suspeito, na Ponta da Praia, como um "paiol", um esconderijo estratégico para armas de fogo utilizadas em confrontos, cobranças e execuções no Morro do São Bento.
A emboscada e o confronto
A dinâmica da ocorrência foi marcada por extrema tensão desde os primeiros minutos. Ao chegarem ao endereço para o cumprimento da ação, os investigadores foram recebidos pelo filho do investigado, um menor de idade. O jovem informou calmamente que o pai estava no andar superior da residência. No entanto, o que parecia ser o início de uma abordagem pacífica logo se revelou uma emboscada perigosa.
Enquanto os policiais subiam as escadas para realizar a averiguação, 'Zinho' abriu fogo contra a equipe, forçando um recuo tático imediato dos agentes para evitar baixas. O suspeito não se rendeu, entrincheirou-se no andar de cima e passou a atirar pela janela da frente do imóvel. Segundo a corporação, a ousadia do atirador por pouco não resultou em tragédia: um dos disparos passou a centímetros da cabeça de um dos policiais civis.
Apoio tático e o mistério dos tabletes
Diante do risco iminente de morte e da resistência armada, a equipe solicitou apoio imediato pelo rádio. Viaturas da Força Tática da Polícia Militar chegaram rapidamente ao local e cercaram o perímetro para evitar a fuga. Com o cerco fechado, os policiais conseguiram realizar uma incursão tática no imóvel, neutralizaram a ameaça e efetuaram a prisão do atirador.
Durante a varredura minuciosa no local, a polícia apreendeu a arma utilizada no ataque contra a guarnição, um revólver calibre .38, além de quatro munições e quatro aparelhos celulares que passarão por perícia para extração de dados e conversas.
O detalhe mais intrigante da operação, no entanto, foi a localização de 35 tabletes de uma substância branca prensada, visualmente idêntica à cocaína. Surpreendentemente, os testes preliminares realizados pela equipe da Polícia Científica deram resultado negativo para entorpecentes. Todo o material recolhido foi embalado e encaminhado para uma análise laboratorial mais aprofundada, que determinará a composição exata do pó armazenado.
O suspeito foi conduzido sob forte escolta à delegacia e autuado em flagrante pelos crimes de homicídio tentado qualificado (por ter sido praticado contra agentes de segurança pública no exercício da função) e posse irregular de arma de fogo. Ele permanece detido, à disposição da Justiça.
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